Encontro entre EUA e Irã nesta sexta na Suiça é cancelado

Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Evan Vucci
Encontro entre EUA e Irã previsto para sexta-feira foi cancelado após JD Vance desistir da viagem à Suíça
As negociações entre Estados Unidos e Irã previstas para esta sexta-feira (19), na Suíça, foram canceladas. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores suíço após a Casa Branca informar que o vice-presidente americano, JD Vance, desistiu da viagem ao país europeu. A seguir, entenda o que se sabe sobre o caso.
Por que o encontro foi cancelado?
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça comunicou que as negociações que aconteceriam no resort de Burgenstock não serão realizadas na data prevista. O cancelamento ocorreu após a Casa Branca informar que JD Vance não viajaria ao país europeu conforme planejado.
Em comunicado, um porta-voz da Casa Branca afirmou que os detalhes logísticos das negociações ainda não haviam sido concluídos e que a delegação americana permanecia pronta para iniciar as conversas assim que fosse possível. Segundo o governo americano, a organização do encontro "nunca foi simples ou previsível" e novas informações serão divulgadas quando houver uma definição sobre os próximos passos.
O objetivo das negociações
As conversas técnicas tinham como objetivo dar início à implementação do memorando de entendimento firmado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra entre os dois países. JD Vance estava programado para participar de uma cerimônia oficial de assinatura do acordo na Suíça e liderar a equipe americana nas negociações.
Na quinta-feira (18), o vice-presidente americano afirmou que pretendia viajar para a Suíça, mas reconheceu que a data da cerimônia ainda era incerta. Ele também declarou que as negociações técnicas deveriam começar neste fim de semana e que planejava liderar a delegação dos Estados Unidos. Apesar do cancelamento da viagem, a Casa Branca disse que espera que as conversas sejam iniciadas "o mais breve possível".
O que prevê o memorando entre Washington e Teerã
O acordo firmado entre os dois países estabelece uma série de medidas para encerrar o conflito e iniciar uma fase de negociações. Entre os principais pontos estão:
O início de um período de 60 dias de negociações;
A retomada das exportações de petróleo iraniano;
A criação de um fundo de US$ 300 bilhões para a reconstrução do Irã;
Mecanismos de monitoramento do cumprimento do acordo.
O memorando, no entanto, enfrenta resistência nos Estados Unidos, inclusive dentro do Partido Republicano. Críticos afirmam que os termos seriam mais vantajosos para o Irã e que não promovem mudanças significativas em relação ao programa nuclear iraniano. Também há questionamentos sobre a criação do fundo de US$ 300 bilhões destinado à reconstrução do país.
A posição dos EUA sobre o financiamento ao Irã
JD Vance afirmou que os Estados Unidos confiam na capacidade de monitorar os recursos obtidos pelo Irã com a venda de petróleo, de forma a evitar que o dinheiro seja utilizado para financiar grupos considerados terroristas. O vice-presidente reconheceu, no entanto, que ainda não está definido quem financiará o fundo de reconstrução nem como ele será administrado.
A reação de Israel
Um dos pontos do memorando prevê o encerramento dos conflitos em várias frentes, incluindo o Líbano, e a retirada das tropas israelenses do território libanês. Israel, porém, já sinalizou que não pretende cumprir essa exigência.
JD Vance afirmou que todos os envolvidos precisam respeitar os termos acertados e disse que ações militares israelenses no Líbano prejudicaram as negociações pela paz em diferentes momentos.
O cancelamento do encontro na Suíça representa um novo obstáculo para a implementação do memorando entre Washington e Teerã. Enquanto a Casa Branca aguarda a definição dos detalhes logísticos, as negociações permanecem suspensas, com JD Vance mantendo a disposição de liderar a delegação americana assim que as condições forem estabelecidas.