Cúpula da PF rebate críticas de Jaques Wagner por foto em operação

A PF afirma que divulgar imagens de materiais apreendidos é procedimento padrão, após críticas do senador Jaques Wagner
Membros da cúpula da Polícia Federal (PF) rebateram, nos bastidores, as críticas do senador Jaques Wagner (PT-BA) à divulgação de uma foto que mostra notas de dólar e de euro apreendidas durante uma operação contra o parlamentar. Segundo integrantes da direção da corporação, a prática é considerada "padrão" e não varia conforme o perfil político do investigado. Sob reserva, fontes da PF afirmaram que a divulgação de imagens de materiais apreendidos em operações é um procedimento rotineiro da instituição.
Para reforçar o argumento, lembraram que a corporação também tornou pública uma imagem dos mais de R$ 400 mil em espécie apreendidos durante uma operação contra o atual líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), em dezembro de 2025. Na ocasião, a PF recolheu cerca de R$ 430 mil em dinheiro vivo em um flat alugado pelo deputado na área central de Brasília, no âmbito de um inquérito que apura suposto desvio de recursos públicos da cota parlamentar. A crítica de Jaques Wagner à PF foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, na qual o senador classificou como uma "patacoada" a divulgação da foto com as cédulas de dólar e euro apreendidas no quarto do hotel onde mora em Brasília.
A PF recolheu no apartamento de Wagner US$ 49 mil em espécie, equivalentes a cerca de R$ 255 mil, e 33,5 mil euros, aproximadamente R$ 199 mil. Os valores foram apreendidos na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga o Caso Master, no dia 18 de junho. Ainda à Folha, Jaques Wagner revelou ter reclamado da atuação da PF diretamente ao presidente Lula. Segundo o senador, a corporação teria descumprido a orientação do ministro do STF André Mendonça, relator do Caso Master, para que as apreensões fossem realizadas de forma discreta. A posição da cúpula da PF reforça que a conduta adotada na operação contra Jaques Wagner segue os mesmos critérios aplicados a outros investigados, independentemente de filiação partidária ou posição política.