Jaques Wagner diz que dinheiro apreendido pela PF veio de diárias de viagens

© Rafael Nunes
Senador afirma que valores apreendidos pela Polícia Federal são de diárias oficiais e nega relação com o Banco Master
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta quinta-feira (18) que os dólares e euros apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero têm origem em diárias recebidas em viagens oficiais ao exterior e em compras legais de moeda estrangeira realizadas ao longo dos últimos anos.
Em entrevista à BandNews TV, após ser alvo de mandados de busca e apreensão, o senador negou qualquer relação dos valores com o Banco Master ou com o empresário Augusto Lima.
Segundo Jaques Wagner, ele recebeu aproximadamente US$ 70 mil em diárias do Senado desde 2019, e os recursos estavam guardados em cofre.
"Eu não tenho nenhuma coisa para esconder desse dinheiro. Está guardado no cofre. Os envelopes, inclusive, que estavam em Brasília, eram envelopes com o timbre do Senado Federal, que é quando você recebe a diária em espécie, em dólar", afirmou.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu cerca de US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao parlamentar.
Jaques Wagner também revelou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poucas horas após a ação da Polícia Federal.
De acordo com o senador, Lula telefonou para manifestar solidariedade e reafirmar confiança em sua atuação: "O presidente Lula ligou para mim para se solidarizar comigo, dizer que mantém absoluta confiança em mim. A gente se conhece há 48 anos", declarou.
Wagner acrescentou que o presidente não tratou de sua permanência na liderança do governo durante a conversa: "Ele só ligou para dizer: fique firme. Essa é uma tentativa de desestabilizar você, mas conte com a minha confiança", relatou.
Investigação e defesa
A nova fase da Operação Compliance Zero investiga possíveis vínculos entre agentes públicos e pessoas ligadas ao Banco Master.
Jaques Wagner é citado nas investigações por suposta relação com o empresário Augusto Lima, que adquiriu a rede de supermercados Cesta do Povo, privatizada durante sua gestão no governo da Bahia.
O senador negou qualquer benefício financeiro relacionado ao Banco Master e afirmou que sua relação com Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira, foi limitada a dois encontros.
"Minha relação com o Daniel Vorcaro é praticamente zero", declarou.
Apesar da operação, Jaques Wagner afirmou que continuará exercendo a liderança do governo no Senado enquanto contar com a confiança do presidente da República.
"Eu continuo na liderança até que o presidente Lula peça para eu me retirar. Não acho que ele vai fazer isso", disse.
O senador também descartou qualquer impacto sobre seus planos eleitorais para 2026 e manteve a intenção de disputar a reeleição ao Senado pela Bahia.
Segundo Wagner, a investigação ainda está em fase inicial e não há qualquer denúncia ou condenação contra ele.
"Por enquanto, isso é uma mera investigação. Eu não sou réu, não sou culpado, não sou nada. Estou absolutamente tranquilo em relação a tudo que tenho a dizer", afirmou.