Haddad defende investigação da PF contra Jaques Wagner

fernando haddad ministro da fazenda
Haddad defende investigação da PF contra Jaques Wagner e diz que a lei deve ser aplicada independentemente de alianças políticas
Fernando Haddad, pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, defendeu publicamente a investigação da Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner, também do PT, afirmando que "a lei tem que ser aplicada para todos os brasileiros". A declaração foi dada em entrevista ao podcast Kritikê, na quinta-feira (19), um dia após Wagner ser alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga as articulações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, com o mundo político.
Ao comentar o caso, Haddad reconheceu que lamenta quando alguém próximo é investigado, mas deixou claro que isso não pode servir de justificativa para que a lei deixe de ser aplicada. "A questão ética na política, você tem que defender que a lei tenha que ser aplicada, independentemente da torcida. Eu torço para a Justiça ser feita. Eu vou lamentar se uma pessoa próxima a mim errou. Vou lamentar porque é uma pessoa que eu conhecia e tudo mais.
Mas não posso desejar, para o bem da sociedade, que a lei não seja aplicada", disse o petista. O ex-ministro da Fazenda do governo Lula foi além e usou uma analogia para reforçar seu ponto de vista. "Se você está numa comunidade da igreja, onde se professa os maiores valores humanos, e ali tem uma pessoa que erra, você vai lamentar. Mas não vai querer que ele fique impune. O cara errou e prejudicou alguém. É muito desagradável. Mas tem uma lei prevendo uma punição para aquele ato. Nós temos que ter essa consciência", avaliou.
Na mesma entrevista, Haddad elogiou a independência da PF durante o governo Lula e fez uma comparação direta com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que, no governo anterior, a corporação não tinha liberdade para investigar aliados e parentes do então presidente. "Primeiro eu dou parabéns para o presidente Lula, porque na sua gestão as instituições funcionam. Não está trocando o superintendente da Polícia Federal para proteger o seu filho, como o Bolsonaro fez. O Bolsonaro mudou o ministro da Justiça para proteger o filho dele. O Lula disse que não ia mudar nada. Se é meu filho ou ministro, cada um explica seus atos e responde por ele. Não queremos injustiça para ninguém", afirmou.
Sobre o próprio Jaques Wagner, Haddad lembrou que o senador já havia sido investigado anteriormente, no caso da Arena Fonte Nova, e que tudo foi arquivado. "Se um aliado meu errou e foi comprovado, ele tem que pagar. O país tem que funcionar assim. O Jaques Wagner já deu uma entrevista hoje prestando esclarecimentos. As autoridades vão julgar se é convincente ou não. Tem uma investigação em curso. Oito anos atrás, ele foi investigado sobre a Fonte Nova e disse que não iam achar nada errado, porque ele não fez nada errado. E tudo foi arquivado. E terminou bem. Ele eleito. Tudo em ordem. A vida pública tem disso. Às vezes uma pessoa precisa ser investigada porque há indícios, e a polícia tem que fazer o trabalho dela."
O petista também direcionou críticas ao pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), cobrando explicações sobre as doações milionárias de Daniel Vorcaro para a produção do filme "Dark Horse", sobre a vida de Jair Bolsonaro. "Tem outras pessoas que também têm que dar explicações. Você pedir R$ 134 milhões para fazer um "filme série B" não é razoável. Um filme para contar a história do Bolsonaro custa R$ 5, 10, 20 milhões", declarou. "Você pede 134 milhões e manda para os Estados Unidos, ao invés de fazer o filme aqui. Talvez também coubesse uma busca e apreensãozinha para saber o que aconteceu ali", disse.