Ministro israelense defende que "todo o Líbano deve queimar"

Ataques de Israel no Líbano
Ministro israelense faz declarações duras após morte de soldados no Líbano, ignorando apelos internacionais pelo cessar-fogo
O ministro israelense da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, fez declarações contundentes nesta sexta-feira (19/6), ignorando os apelos da comunidade internacional pelo fim das hostilidades no Oriente Médio.
Mesmo após a assinatura de um protocolo de acordo entre os Estados Unidos e o Irã, Israel deixou claro que não pretende interromper sua ofensiva contra o grupo libanês Hezbollah.
"Com todo o respeito devido aos americanos, Israel deve deixar claro ao mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão à venda. Todo o Líbano deve queimar", afirmou Itamar Ben Gvir em comunicado oficial.
O ministro de extrema direita, considerado um dos principais aliados políticos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, acrescentou: "Para cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas devem chorar".
As declarações de Itamar Ben Gvir vieram horas depois de o exército israelense anunciar a morte de quatro soldados em um confronto no sul do Líbano.
Nas últimas horas, bombardeios israelenses deixaram ao menos 18 mortos e 33 feridos na região, segundo balanço provisório do Ministério da Saúde libanês, nos ataques mais intensos registrados nas últimas semanas.
Israel afirmou ter atingido "mais de 80 alvos" e matado "dezenas" de membros do Hezbollah "em resposta às violações do cessar-fogo".
Os ataques atingiram pelo menos dez localidades próximas à cidade de Nabatiyé, no sul do Líbano, incluindo Harouf, onde oito pessoas morreram, de acordo com a Agência Nacional de Informação Libanesa (ANI).
Outros bombardeios israelenses também atingiram a região de Baalbek, no leste do país.
A intensificação da ofensiva provocou uma nova onda de deslocamentos: segundo a ANI, centenas de moradores "tomaram as estradas ao deixar a região de Tiro, em carros lotados, com colchões e pertences pessoais".
O Hezbollah, por sua vez, anunciou ao amanhecer que seus combatentes haviam atacado forças israelenses perto das colinas de Ali Taher, nos arredores de Nabatiyé, com disparos "de foguetes e de morteiros".
Na noite de quinta-feira (18), o grupo afirmou ter destruído três tanques israelenses em confrontos no sul do Líbano.
A postura de Itamar Ben Gvir é compartilhada por outros membros do governo israelense.
O ministro ultranacionalista das Finanças, Bezalel Smotrich, publicou na rede social X que "é preciso fazer o fogo falar […] abrir as portas do inferno", em alusão à morte dos soldados, sem mencionar explicitamente o Líbano.
Na véspera, Netanyahu já havia declarado que as forças israelenses permaneceriam no sul do Líbano "o tempo que for necessário".
A pressão sobre Netanyahu cresce também dentro da oposição, em um momento em que sua maioria parlamentar está ameaçada com a aproximação das eleições previstas para, no máximo, o fim de outubro.
Avigdor Lieberman, líder de um partido nacionalista da oposição, pediu que se exija "um pesado tributo […] do qual o outro lado jamais se recuperará".
Segundo ele, se os redutos do Hezbollah "continuarem de pé, isso será um claro fracasso do primeiro-ministro e do ministro da Defesa".
No cenário diplomático, o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, cobrou em entrevista à emissora France Info que Israel respeite o acordo firmado entre Irã e Estados Unidos.
"Esse acordo prevê a cessação das hostilidades; o governo israelense deve respeitá-lo, e os Estados Unidos, em particular, devem exercer toda a pressão necessária sobre o governo israelense para que isso aconteça", declarou.
Barrot também relativizou o adiamento das negociações previstas para a Suíça entre Washington e Teerã: "O mais difícil ainda está por vir, mas não devemos superinterpretar adiamentos de reuniões, já que esse acordo foi assinado".
O ministro concluiu que "o essencial agora é que as discussões, inclusive no nível técnico, possam continuar para que as primeiras etapas previstas pelo acordo possam ser ativadas".
A situação no sul do Líbano permanece tensa, com Israel mantendo sua ofensiva e o Hezbollah respondendo com ataques às forças israelenses, enquanto a comunidade internacional busca pressionar por uma saída diplomática para o conflito.