Israel ataca Líbano após trégua mediada por Trump

Benjamin Netanyahu primeiro ministro de israel
Após trégua com o Irã mediada por Trump, Israel retoma bombardeios no Líbano e milhares fogem da cidade de Tiro
Israel voltou a atacar o Líbano nesta terça-feira (9), desafiando novamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A cidade de Tiro, no sul do Líbano, foi o principal alvo dos bombardeios, e milhares de moradores fugiram da região, segundo autoridades locais. O Irã, por sua vez, declarou que responderia a qualquer nova ofensiva israelense. A troca de ataques entre Irã e Israel havia sido suspensa na segunda-feira (8), após apelo direto de Trump, mas ambos os lados mantiveram o tom de ameaça. O confronto interrompeu o cessar-fogo em vigor desde abril e elevou a guerra no Oriente Médio a um novo patamar de escalada.
- No domingo (7), o Irã atacou Israel em retaliação aos bombardeios israelenses contra o Líbano realizados nos dias anteriores. Horas depois, Israel respondeu e bombardeou três pontos do território iraniano, incluindo alvos na capital Teerã.
- Na manhã de segunda-feira (8), Trump fez um apelo público para que os dois países interrompessem os ataques: "Israel e o Irã devem parar imediatamente o "tiroteio"".
- Horas após o apelo americano, o comando militar do Irã anunciou a suspensão dos ataques, afirmando ter dado uma "resposta dolorosa" a Israel. Meia hora depois, Israel também anunciou a interrupção dos bombardeios dirigidos ao território iraniano.
- Apesar da suspensão, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu manteve as ameaças, afirmando que, caso o Irã ataque novamente o território israelense, Israel responderá "com força".
Segundo fontes do governo, Israel decidiu interromper os ataques após Netanyahu conversar por telefone com Trump. Na semana anterior, os dois líderes haviam se desentendido depois que o presidente americano exigiu que o premiê israelense encerrasse os ataques ao Líbano, pedido que foi ignorado por Israel.
A suspensão dos ataques israelenses, no entanto, vale apenas para os bombardeios ao Irã. Segundo fonte ouvida pelo Canal 12, a ofensiva no Líbano continuará com força total nos próximos dias. A emissora também informou que haverá bombardeios à capital Beirute caso o grupo terrorista Hezbollah siga atacando o norte de Israel.
As Forças Armadas de Israel divulgaram imagens do ataque ao território iraniano, realizado como retaliação aos mísseis lançados por Teerã no domingo (7). Segundo as forças israelenses, as imagens mostram o momento em que mísseis israelenses atingem sistemas de defesa aérea do Irã. Em comunicado, as Forças Armadas de Israel afirmaram que os sistemas destruídos abrigavam mísseis destinados a interceptar aeronaves.
O Irã, por sua vez, culpou os Estados Unidos pela troca de ataques ocorrida no fim de semana. O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que as ações israelenses não podem ser dissociadas das políticas americanas. Segundo Baghaei, os novos ataques agravam o "processo diplomático caótico" com os Estados Unidos e aumentam a desconfiança de Teerã em relação a Washington.
Baghaei acrescentou ainda que os EUA têm responsabilidade direta pelas recentes violações do cessar-fogo e que Israel não toma medidas independentes sem consultar Washington. O Irã também confirmou ter disparado mísseis contra uma base israelense durante o confronto do fim de semana. Enquanto a tensão entre Israel e Irã permanece elevada, os ataques israelenses ao sul do Líbano continuam, e a situação na região segue instável, com milhares de civis deslocados e o risco de uma nova escalada do conflito.