Memorando de paz entre EUA e Irã pode ser assinado neste domingo em Genebra

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Memorando de paz entre Washington e Teerã pode ser assinado em Genebra neste domingo, com suspensão de sanções e cessar-fogo em pauta
Um memorando de paz entre os Estados Unidos e o Irã pode ser assinado neste domingo, possivelmente em Genebra, de acordo com uma fonte ocidental que informou à Reuters nesta sexta-feira. O documento ainda estava sendo finalizado, mas o objetivo era concluir a redação até sábado para viabilizar a assinatura formal no fim de semana.
Segundo a fonte, o Irã mantém a posição de que o acordo também deve encerrar os combates no Líbano, onde Israel vem lutando contra a milícia Hezbollah, apoiada por Teerã. A assinatura seria realizada pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, e pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Baqer Qalibaf.
O anúncio de Trump
O presidente Donald Trump afirmou na quinta-feira que havia cancelado novos ataques ao Irã porque um acordo já estava pronto. "Acabamos de chegar a um ótimo acordo sobre a guerra com o Irã", disse Trump a repórteres na Casa Branca.
Questionado se o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, havia aprovado o acordo, Trump declarou: "Entendo que a resposta é sim." Sobre o local e o prazo para a assinatura, Trump acrescentou: "O estreito será oficialmente aberto assim que assinarmos, o que pode acontecer em breve, muito em breve, talvez no fim de semana na Europa", confirmando ainda que Vance estaria presente na cerimônia.
Os termos do acordo
Os termos descritos por autoridades iranianas na sexta-feira indicam que o Irã obteria grande parte do que vinha exigindo. Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que o rascunho do memorando prevê:
A suspensão das sanções sobre o petróleo do Irã e o descongelamento de bilhões de dólares em fundos iranianos bloqueados.
A cessação das hostilidades em todas as frentes, incluindo o Líbano.
As questões nucleares seriam deixadas de lado para negociações posteriores, sem resolução imediata.
A agência de notícias iraniana Mehr informou que os termos também incluíam outras concessões dos EUA, entre elas o compromisso de retirar suas forças da região e apresentar um plano de reconstrução econômica do Irã. "Os Estados Unidos e seus aliados precisam apresentar planos para a reconstrução do Irã no valor de pelo menos US$ 300 bilhões", afirmou a reportagem da Mehr.
A fonte iraniana não mencionou o que o Irã ofereceria em troca, e não houve resposta imediata dos Estados Unidos. Analisando os termos divulgados, Trump aparentemente conquistou pouco além da reabertura do Estreito de Ormuz, que o Irã havia fechado após os ataques ordenados pelo presidente norte-americano em fevereiro. Washington busca um acordo que impeça o Irã de desenvolver armas nucleares, enquanto Teerã afirma não estar perseguindo esse objetivo.
Alívio nos mercados globais
O anúncio de Trump — feito horas depois de ele ter ameaçado novamente atacar o Irã "com muita força" na noite de quinta-feira — provocou uma alta nas bolsas globais e uma queda nos preços do petróleo na sexta-feira. Os preços do petróleo Brent recuavam mais de 2% nas negociações da manhã na Europa.
Os mercados reagiram positivamente ao sinal de que os dias de escalada intensa haviam chegado ao fim. O período de tensão começou com Irã e Israel trocando disparos pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, seguido por dois dias de ataques dos EUA ao Irã e respostas iranianas contra bases regionais norte-americanas.
Ao longo da guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel ao Irã, Trump fez declarações semelhantes sinalizando que um acordo estava próximo, mas nenhum chegou a ser concretizado. Desta vez, porém, os mercados demonstraram maior confiança de que as palavras do presidente norte-americano indicam uma mudança real no cenário do conflito.