EUA e Irã iniciam negociações presenciais na Suíça para definir fim da guerra

Bandeiras de mesa dos EUA e do Irã
Ministério suíço confirma que EUA e Irã se reúnem nesta sexta para iniciar negociações sobre aplicação do acordo de cessar-fogo
Estados Unidos e Irã devem iniciar, na Suíça, nesta sexta-feira (19), as "primeiras negociações" sobre a aplicação do acordo assinado eletronicamente pelos dois países para encerrar o conflito. A confirmação veio do Ministério das Relações Exteriores suíço nesta quinta-feira (18).
O texto estabelece as bases para interromper a guerra iniciada em 28 de fevereiro, provocada pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, que resultou em milhares de mortes. O acordo prevê a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, cujo bloqueio causou forte impacto na economia mundial. Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo mundial transitava por essa rota estratégica.
Nesta quinta-feira, o barril de Brent do Mar do Norte recuava 2,06%, a 77,94 dólares, aproximando-se do nível anterior à guerra, em torno dos 70 dólares.
Além da reabertura de Ormuz, o texto abre caminho para um período de 60 dias de negociações sobre a diluição do urânio enriquecido da República Islâmica. As conversações também abordarão o fim das sanções contra o Irã e o compromisso dos Estados Unidos de criar um fundo de reconstrução de 300 bilhões de dólares — cerca de 1,5 trilhão de reais.
O memorando de entendimento prevê ainda que Washington suspenda, a partir da assinatura, as sanções sobre a venda de petróleo iraniano, com compromisso de eliminar todas as restrições caso um acordo definitivo seja alcançado ao fim das negociações.
O protocolo também inclui um diálogo entre Irã e Omã para "definir a futura administração e os serviços marítimos no Estreito de Ormuz", cláusula que levanta dúvidas sobre um possível pagamento de taxas por navios que atravessarem a via, conforme destacou o governo iraniano.
A diplomacia iraniana ressaltou ainda que o programa de mísseis do país não fará parte das próximas negociações.
Os dois países também discutirão um mecanismo para administrar as reservas de urânio iranianas "recorrendo, no mínimo, a um método de diluição 'in situ' sob a supervisão da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica)", segundo uma fonte do governo americano, que reivindicou uma "grande vitória", mas para Washington.
A assinatura do acordo, inicialmente programada para sexta-feira na Suíça, foi antecipada e ocorreu à distância. O presidente Donald Trump assinou o documento na noite de quarta-feira durante um jantar no Palácio de Versalhes ao lado do presidente francês Emmanuel Macron, conforme mostrou um vídeo publicado na rede social X. Já o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que nesta quinta-feira chamou o acordo de "histórico", assinou o texto eletronicamente em seu país, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o Paquistão, que atuou como mediador, na sexta-feira acontecerá uma cerimônia em um hotel de luxo em Bürgenstock, montanha suíça com vista para o lago de Lucerna, para "comemorar o marco e dar início às discussões técnicas".
No início da semana, diversas fontes anunciaram as presenças do principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do vice-presidente americano, JD Vance, na Suíça.
As concessões feitas renderam duras críticas a Washington. A imprensa americana aponta o uso de bilhões de dólares no conflito e um possível fortalecimento do governo do Irã, ao final de uma guerra que Trump iniciou com um apelo por mudança de regime em Teerã.
O presidente republicano tentou minimizar as críticas com uma mensagem nas redes sociais: "Esses idiotas, que acham que eu não tenho sido duro o suficiente com o Irã, quando a Bolsa de Valores acaba de atingir UM RECORDE HISTÓRICO, e os preços do petróleo estão 'despencando', são pessoas invejosas, más ou estúpidas".
Do lado iraniano, o negociador Mohammad Bagher Ghalibaf, que também é presidente do Parlamento, declarou que "o acordo representa o fracasso dos Estados Unidos diante do Irã".
No Líbano, o líder do Hezbollah, Naim Kassem, considerou o pacto uma "grande vitória" para o Irã e pediu que o país "aproveite" o acordo para "expulsar Israel" do território.
Os combates no Líbano prosseguem com menor intensidade: um soldado israelense morreu na quarta-feira e sete ficaram feridos no sul do país, segundo o Exército israelense. Um homem morreu na quinta-feira em um ataque israelense, informou a imprensa estatal.
Os países membros do G7, reunidos na França nesta semana, celebraram o que chamaram de "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e para enfrentar as ameaças relacionadas às suas atividades regionais e balísticas".