Irã ataca bases dos EUA no Golfo

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Guarda Revolucionária iraniana retaleia bombardeios americanos; Bahrein e Kuwait denunciam "agressão flagrante" e cessar-fogo fica ameaçado
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã informou, na manhã deste sábado (06/06), que atacou bases americanas na região do Golfo em retaliação a bombardeios realizados pelos Estados Unidos contra seu território no dia anterior. A ação elevou a tensão em uma região já instável e ameaça os frágeis esforços diplomáticos em curso para encerrar o conflito. O Bahrein e o Kuwait relataram ataques iranianos durante a madrugada. O governo kuwaitiano confirmou que suas defesas aéreas responderam a drones e mísseis "hostis". Autoridades do Bahrein informaram que as duas nações do Golfo interceptaram sete mísseis disparados pelo Irã e descreveram os ataques, os segundos em três dias, como uma "agressão flagrante" e "uma violação flagrante da soberania de ambos os países".
A Guarda Revolucionária do Irã disse que tinha como alvos a base aérea de Ali Al Salem, que abriga forças americanas no Kuwait, e a 5ª Frota da Marinha dos EUA no Bahrein, conforme informou a agência de notícias estatal Irna. Nas horas seguintes aos bombardeios, a autoridade de aviação do Kuwait anunciou a retomada do tráfego aéreo, informando que 11 voos da Kuwait Airways e da Jazeera Airways haviam sido desviados durante o fechamento do espaço aéreo.
A Guarda Revolucionária iraniana confirmou os ataques após forças dos EUA bombardearem sistemas de radares no país e abaterem drones que se dirigiam para o Estreito de Ormuz e nações aliadas na região. O Comando Central dos EUA (Centcom) informou que seis dos mísseis disparados em direção ao Kuwait e ao Bahrein foram abatidos, enquanto o sétimo "não atingiu seu alvo pretendido".
Os países do Golfo, ricos em petróleo e vistos anteriormente como um refúgio seguro em uma região instável, estão na linha de fogo de um conflito que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel que eliminaram a cúpula do governo iraniano. Os ataques ocorrem em um momento em que Washington aumenta a pressão sobre o Irã para chegar a um acordo e encerrar o conflito.
Apesar do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, os Estados do Golfo têm sido alvo de ataques esporádicos durante semanas de negociações que não resultaram em um acordo permanente para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, via marítima vital para o transporte de petróleo e gás natural. Os EUA impõem um bloqueio aos portos iranianos em resposta ao controle de Teerã sobre o estreito.
A série de ataques recíprocos tem tensionado o frágil cessar-fogo. No início desta semana, drones iranianos danificaram gravemente um terminal de passageiros no principal aeroporto do Kuwait, matando uma pessoa, ferindo dezenas e fechando brevemente a pista de pouso. A crise no Oriente Médio criou uma série de problemas políticos para o Partido Republicano do presidente Donald Trump meses antes das eleições legislativas de meio de mandato.
Apesar de os ataques terem levantado novas preocupações sobre a durabilidade do cessar-fogo, Trump disse a repórteres nesta sexta-feira que "a situação com o Irã parece estar indo muito bem". "Vamos sair do Irã muito rapidamente e será de uma forma muito firme, seja por meio de um acordo ou pelo caminho mais difícil", afirmou o presidente. "O caminho mais difícil talvez seja o mais fácil, mas vamos sair, e os preços dos fertilizantes vão cair bastante, assim como caíram há quatro meses." Trump, no entanto, parece estar cada vez mais encurralado em um conflito marcado por impasse.
Negociadores dos EUA e do Irã chegaram a um acordo provisório há uma semana para estender o cessar-fogo por 60 dias e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. A Casa Branca pediu mudanças no acordo, que não foram especificadas, e as autoridades iranianas não deram sinais de que aprovariam o pacto. Questionado sobre o motivo da demora, Trump disse que isso "é algo muito difícil para eles". "Há coisas que eles nunca pensaram que teriam que fazer, mas que terão que fazer. Eles não têm escolha, e isso leva tempo", declarou o presidente em entrevista à emissora americana NBC. Segundo Trump, os iranianos ainda possuem entre 21% e 22% de seu arsenal de mísseis. O conflito segue sem solução definitiva à vista, com o cessar-fogo cada vez mais fragilizado pelos ataques recíprocos e as negociações diplomáticas sem avanços concretos.