Ibovespa tenta segurar os 170 mil pontos

Ibovespa | Foto: Ibovespa/Reprodução
Ata do Copom gera críticas de analistas e mercado externo negativo pressionam o Ibovespa nesta terça-feira
O Ibovespa abriu estável aos 170.367,40 pontos nesta terça-feira, 23, e rapidamente migrou para o campo negativo, pressionado pela divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) e pelas incertezas no exterior, especialmente no setor de tecnologia. Ainda assim, o índice tentava sustentar o nível dos 170 mil pontos ao longo da manhã, em meio a um cenário de volatilidade tanto doméstico quanto internacional.
No Brasil, o principal catalisador do dia foi a ata da reunião do Copom de junho, que buscava esclarecer dúvidas deixadas pelo comunicado da semana passada, quando a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O documento afirma que o "BC julgou como mais adequadas, nesse momento, trajetórias de Selic menos discrepantes às presentes na Focus, QPC e precificação da política monetária, por evitarem induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados macroeconômicos, com efeitos potencialmente contraproducentes à própria convergência da inflação à meta."
Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, esperava que o Banco Central aproveitasse a ata para fazer um esforço adicional de esclarecimento, mas avaliou que a autarquia ficou devendo. "Piorou o humor do mercado assim que foi divulgada. Veio confusa", afirma. Segundo ele, o colegiado do BC não conseguiu explicar a decisão considerada heterodoxa de alterar, no comunicado da semana passada, o horizonte relevante do terceiro trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. Essa lacuna, segundo Spiess, eleva a desconfiança dos agentes em relação ao Banco Central. Já o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, avaliou que a ata trouxe mais luz à argumentação do comunicado, embora classifique essa argumentação como "bem frágil" em relatório.
Ainda assim, o economista acredita que o documento deve acalmar parte dos agentes. "Nossa avaliação é de que a ata desenhou uma conjuntura bem hawkish, inclusive com a classificação do balanço de riscos com assimetria altista, o que por algum motivo foi ocultado no comunicado da última quarta-feira", diz Sanchez. Conforme a Ativa, a reversão dovish aparece no 21º parágrafo, em que o BC coloca à mesa incertezas relevantes, classificadas no parágrafo seguinte como "em níveis historicamente elevados". No cenário externo, o foco recaiu sobre os índices de gerentes de compras (PMI) e sobre o desempenho negativo das bolsas em Nova York e na Europa, movimento que também foi observado nos mercados asiáticos.
O setor de tecnologia puxou as ações para baixo, com dúvidas sobre os retornos dos investimentos realizados. "O desempenho das bolsas lá fora não ajuda nem um pouco o Brasil. O setor de tecnologia puxa as ações para baixo. Há dúvidas sobre os retornos que estão sendo feitos. Adicionalmente, há frustração com dados da China, indicando desaceleração econômica", afirma Bruno Takeo, analista da S4 Consultoria. Ele também reforçou que a ata do Copom não esclareceu os principais pontos de dúvida deixados pelo comunicado da semana anterior.
Às 11h37 desta terça-feira, o Ibovespa subia 0,19%, aos 170.693,70 pontos, após ter chegado a cair 1,10%, atingindo a mínima de 168.495,17 pontos. Na véspera, o índice havia fechado em alta de 1,21%, aos 170.370,38 pontos. No mercado de commodities, o petróleo cedia cerca de 1%, embora as ações da Petrobras tenham virado para o campo positivo. O minério de ferro recuou 0,54% em Dalian, enquanto as ações da Vale perdiam 2,29%. O Ibovespa segue, portanto, em um ambiente de pressão dupla: de um lado, a ata do Copom que não dissipou as dúvidas do mercado sobre a condução da política monetária; de outro, um exterior adverso, com bolsas em queda e dados decepcionantes da China pesando sobre o humor dos investidores.