Ibovespa sobe com acordo EUA-Irã

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Queda de 5% no petróleo limita o avanço do Ibovespa após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã, que prevê reabertura do Estreito de Ormuz
O Ibovespa iniciou o pregão desta segunda-feira, 15, em alta, impulsionado pelo anúncio de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, firmado no domingo pelo presidente Donald Trump. O pacto prevê um cessar-fogo de 60 dias, a interrupção permanente das operações militares — incluindo no Líbano — e a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde passa quase 20% do petróleo mundial. No entanto, a queda de cerca de 5% nas cotações do petróleo limitou o avanço do índice, que oscilou entre a máxima de 174.228,27 pontos (alta de 1,81%) e a mínima de 171.135,53 pontos nos primeiros trinta minutos de negociação.
Entre os fatores que sustentaram a alta do Ibovespa, destacou-se também a valorização de 0,65% do minério de ferro em Dalian, na China. Nos mercados ocidentais, as bolsas operavam em alta — com exceção de Londres (-0,33%) —, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuavam, pressionando os juros futuros e o dólar frente ao real. Das 79 ações da carteira do índice, apenas algumas recuavam, sobretudo as ligadas ao setor de petróleo. "Sobe, sim, devido ao acordo, mas alguns ativos avançam ainda mais que o Ibovespa. A guerra foi o que levou o índice para baixo. Então, avança", afirmou Patrick Buss, especialista de renda variável da Manchester Investimentos.
Ele lembrou que o conflito geopolítico havia elevado as cotações do petróleo, puxando as ações do setor para cima e também a inflação, "diminuindo mais a expectativa de queda da Selic." O acordo também trouxe alívio para o debate sobre política monetária, embora sem influência direta nas decisões desta semana, que incluem reuniões de bancos centrais no Brasil, nos EUA, na Inglaterra e no Japão. "O alívio externo chega em um momento delicado para a política monetária", escreveu em relatório Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora. Ele citou o IPCA de maio, que desacelerou, mas ficou ligeiramente acima das expectativas, reforçando "a percepção de que os núcleos de inflação continuam pressionados, enquanto a atividade econômica permanece resiliente."
Para Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, o acordo de paz entre EUA e Irã é o catalisador que o mercado vinha "precificando há semanas", com reação imediata de queda do petróleo. Ele ponderou, porém, que o acordo é real, mas a execução é gradual. "Em mercado, o risco de comprar o boato e vender o fato está sempre posto. Para o investidor, a leitura é simples: momentos como este reforçam o valor de uma carteira diversificada e de horizonte definido, em vez de reagir a cada manchete", disse.
Ainda ficou no radar dos investidores a pesquisa BTG/Nexus divulgada mais cedo, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 9 pontos de vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto no primeiro turno para a Presidência da República. Buss, da Manchester, avaliou que, se a guerra se resolver de vez, o Ibovespa teria espaço para recuperar a marca de até 195 mil ou até 200 mil pontos. "Agora, se voltar para a faixa dos 180 mil pontos, por exemplo, o "fator eleição" pode ser o motivo", disse. Ainda sem a influência do acordo entre os dois países, o boletim Focus desta segunda-feira trouxe novas revisões para cima nas estimativas para a inflação brasileira e para a taxa Selic.
A projeção mediana para o IPCA de 2026 subiu de 5,11% para 5,30%, enquanto a expectativa para a Selic foi elevada de 13,50% para 13,75% ao ano. Para Carlos Lopes, economista do BV, o fim dos conflitos entre EUA e Irã deve dar alguma confiança ao Banco Central para reduzir a Selic nesta semana, como era a intenção original. "Mas mesmo com o fim da guerra, acho que será necessário, após o corte dessa semana, uma pausa para avaliar os efeitos defasados do choque sobre uma economia que ainda está aquecida e superestimulada por gasto público", afirmou.
Na sexta-feira anterior, o Ibovespa havia fechado em baixa de 0,21%, aos 171.132,66 pontos, acumulando alta de 1,25% na semana — a primeira após oito semanas seguidas de queda. Às 11h21 desta segunda, o índice subia 1,17%, aos 173.136,96 pontos. Petrobras recuava entre 3,86% (PN) e 4,09% (ON), enquanto a Prio liderava as quedas com -4,68%. No campo positivo, a Vale subia 3,51% e a Embraer liderava os ganhos, com alta de 6,31%.