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O dólar iniciou o segundo pregão de junho em queda, cotado a R$ 5,01, em uma sessão marcada pela preocupação com a possibilidade de novas tarifas norte-americanas sobre exportações brasileiras. O cenário externo e interno trouxe volatilidade ao mercado financeiro, com o Ibovespa buscando recuperação após cinco sessões consecutivas de perdas. A moeda americana abriu esta terça-feira no comercial para venda a R$ 5,006, registrando variação de 0,33% em relação ao fechamento da véspera, quando havia recuado 0,40%.
O principal fator de atenção dos investidores é a iniciativa do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), que colocou em consulta pública um pacote de "medidas corretivas". O pacote prevê a imposição de uma tarifa de 25% sobre bens importados pelos EUA de empresas brasileiras, após o órgão classificar como "irrazoáveis" as práticas comerciais do Brasil, seguindo investigação aberta em julho de 2025.
Entre os exemplos citados pelo USTR, o Pix é mencionado 20 vezes como uma prática considerada abusiva. O principal meio de pagamento da economia brasileira é apontado como um instrumento favorecido em detrimento de concorrentes, como cartões de crédito e carteiras digitais. A medida eleva a incerteza para empresas exportadoras com destino ao mercado americano.
Conforme avaliação de especialistas, a versão final da tarifa pode determinar perda de competitividade para setores industriais e gerar custos adicionais de acesso ao mercado dos EUA. "Embora ainda há um período de consulta antes da decisão definitiva, o movimento reforça que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos continua passando por uma fase de negociação e ajustes", afirmou Jackson Campos, especialista em comércio exterior.
O Ibovespa, índice das ações mais negociadas da B3, encerrou a última sessão em queda pelo quinto pregão consecutivo. Nessa sequência, o índice acumulou recuo de 3,6%, chegando a 172.197 pontos, o menor patamar desde 21 de janeiro. Nesta terça-feira, o mercado busca uma reversão desse movimento. No setor de petróleo, os contratos futuros operavam em queda. Na Bolsa ICE Intercontinental Exchange, o contrato com vencimento em agosto cedia 1,2% às 9h, cotado a US$ 93,85.
O movimento foi parcialmente influenciado pelo anúncio de um cessar-fogo parcial entre o Hezbollah e Israel no Líbano, o que tende a reduzir a escalada do conflito no contexto mais amplo da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Por outro lado, a Agência Internacional de Energia emitiu alerta sobre os níveis globais de estoques de petróleo.
Segundo a entidade, que reúne os 36 maiores consumidores do mundo, as reservas podem atingir patamares críticos ou historicamente baixos pouco antes do período de pico de demanda do verão, caso a utilização dos estoques continue no ritmo atual. "Seguimos observando um fluxo restrito de petróleo e derivados pelo Estreito de Ormuz, além das ameaças promovidas por Teerã de ampliar essas restrições para outras rotas estratégicas", destacou Bruno Cordeiro, especialista em inteligência de mercado da Stonex.
Um levantamento da Datawise+, plataforma da B3, revelou que ações do setor de petróleo, combustíveis e gás concentraram o maior giro financeiro dos quatro primeiros meses de 2026, movimentando R$ 133,07 bilhões no período. O valor representa um crescimento de 35% em relação a abril, quando o volume fechou em R$ 98,2 bilhões, e mais que o dobro do registrado em fevereiro, quando somou R$ 56,7 bilhões. A Petrobras foi responsável pela maior parte desse movimento no mercado brasileiro.
O volume de negociações com ações da companhia saltou de R$ 34,6 bilhões em fevereiro para R$ 85,1 bilhões em março, um aumento de cerca de R$ 50 bilhões em apenas um mês. O mercado financeiro brasileiro segue, portanto, em compasso de espera, monitorando tanto o desfecho das negociações comerciais com os Estados Unidos quanto os desdobramentos do cenário geopolítico no Oriente Médio, fatores que continuam ditando o ritmo do Ibovespa e do câmbio.