Galípolo fala sobre redução da taxa de juros

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil
Presidente do Banco Central fala sobre desafios de comunicação na era digital após decisão do Copom de reduzir a Selic
No dia seguinte à decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros Selic, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a era digital ampliou os desafios de comunicação do órgão. Em evento realizado na sede do Banco Central, em Brasília, ele citou a existência de "grandes campeonatos de interpretação de texto do Banco Central" como parte desse cenário. A declaração foi feita durante a abertura do XXVI Seminário Ética na Gestão: Ética Pública na Era Digital, promovido pela Comissão de Ética Pública da Presidência da República. Galípolo destacou que o trabalho do Banco Central se tornou mais complexo com a transformação digital, especialmente no que diz respeito à forma de se comunicar com a sociedade.
Segundo Galípolo, a comunicação do BC desempenha papel central nos dois mandatos do órgão: na estabilidade de preços, ligada à política monetária, e na estabilidade financeira, relacionada à supervisão bancária — atividades que envolvem sigilo e confidencialidade. Por isso, o desafio é encontrar uma linguagem clara e objetiva, capaz de atuar na prevenção de fraudes e informar sobre mudanças nos serviços oferecidos. "E ainda assim, existem grandes campeonatos de interpretação de texto do Banco Central, para interpretar se uma mudança de lugar de vírgula quer dizer algo", afirmou Galípolo.
No dia anterior ao evento, o Copom anunciou a redução da Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. No entanto, por força do Regulamento do Comitê de Política Monetária, Galípolo estava impedido de comentar a decisão. O capítulo IV do regulamento estabelece um período de silêncio desde a quarta-feira da semana anterior à reunião ordinária do Copom até a publicação da Ata, prevista para a terça-feira seguinte. Durante esse intervalo, é vedado aos membros do órgão emitir declarações sobre a conjuntura econômica brasileira ou internacional, incluindo taxas de juros, câmbio e outros temas que possam influenciar ou ser influenciados pelas decisões do colegiado.
No comunicado divulgado após a decisão, o Banco Central reconheceu a piora do cenário inflacionário. No balanço de riscos, o Copom mencionou a elevação do IPCA corrente — que voltou a superar o teto da meta no acumulado em 12 meses — e das projeções de mercado para os próximos trimestres, incluindo todo o ano de 2027. Os diretores também voltaram a incluir a política fiscal no balanço de riscos, reforçando uma preocupação que economistas têm destacado como obstáculo ao esfriamento da economia e ao controle dos reajustes. Mesmo diante desse cenário, o Copom encontrou espaço para cortar os juros com base em duas justificativas: os juros no patamar mais elevado em duas décadas, mantidos desde o ano passado, têm conseguido desacelerar a atividade econômica; e o horizonte relevante da política monetária foi estendido do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, ampliando o prazo para que a inflação retorne à meta.