
Foto: PMSP/Reprodução
A Justiça de São Paulo determinou novamente a prisão preventiva dos policiais militares Júnior César Rodrigues e Leonardo Machado Prudêncio, responsáveis pela morte de Gabriel Junior Oliveira Alves da Silva, de 22 anos, durante uma abordagem em Piracicaba, no interior paulista, em 1° de abril de 2025. O jovem foi atingido por um tiro na cabeça ao tentar defender sua esposa grávida da ação dos agentes. Os PMs haviam sido presos temporariamente em junho do ano passado por homicídio e coação no curso do processo, mas foram soltos por decisão judicial.
Em dezembro de 2025, a juíza Nair Costa Gomes concedeu liberdade provisória aos policiais, que passaram a cumprir "medidas cautelares alternativas". No entanto, em julgamento realizado na última quarta-feira (27/5), o tribunal decidiu, por votação unânime, revogar a liberdade e decretar novamente a prisão preventiva dos dois agentes, enquadrados nos crimes de homicídio qualificado, tortura e fraude processual.
Segundo o boletim de ocorrência, os policiais militares realizavam patrulhamento em Piracicaba quando avistaram Gabriel Junior com um volume suspeito e o abordaram. O jovem resistiu à abordagem, e sua esposa, Rebeca Miriam Alves Braga, que estava grávida, também reagiu contra os agentes. Vídeos gravados por celulares mostram Rebeca sendo puxada por um dos policiais.
Ao ver a cena, Gabriel Junior pegou uma pedra para proteger a mulher, avançou em direção aos agentes e foi atingido por um disparo na cabeça. As armas dos policiais militares foram apreendidas e o caso passou a ser apurado por meio de inquérito policial militar (IPM). O Ministério Público de São Paulo (MPSP) pediu a revogação da liberdade dos PMs, e o pedido foi deferido pela Justiça na quarta-feira (27/5). Na época do ocorrido, a Polícia Militar afirmou que não tolera desvios de conduta ou excessos. "Se constatadas irregularidades, os envolvidos serão devidamente responsabilizados", disseram.
Agentes da Polícia Militar voltaram, em duas ocasiões distintas, ao local onde Gabriel Junior morreu. Viaturas rondaram a Rua Cosmorama na noite de 3 de abril, enquanto moradores realizavam uma manifestação, e no dia 4 de abril, agentes removeram placas que pediam por justiça e estavam coladas nas fachadas das casas da região. Rebeca Mirian Alves Braga, viúva de Gabriel Junior, acredita que os policiais retornavam à região para intimidar a população.
"Para nós nos calarmos", disse ela ao Metrópoles. Vizinhos da vítima compartilham do mesmo sentimento. Segundo Rebeca, os agentes não falavam nada — eles apenas saíam das viaturas com as armas na mão e ficavam parados. Questionada sobre as rondas, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o policiamento ostensivo e preventivo havia sido intensificado na região. Com a nova decisão judicial, os policiais militares envolvidos na morte de Gabriel Junior aguardam o andamento do processo sob prisão preventiva, enquadrados em crimes graves que incluem homicídio qualificado, tortura e fraude processual.