Em meio a ataques russos, líderes europeus reforçam apoio à Ucrânia

Reunião entre líderes europeus - Foto: Divulgação/Emmanuel Macron
Chanceler alemão lidera reunião do E5 em Berlim enquanto ataque russo mata funcionários de ONG em Kherson
O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que a Ucrânia "permanece forte" e que o apoio europeu ao país não está diminuindo.
A declaração foi feita após uma reunião em Berlim com o presidente francês Emmanuel Macron e os chefes de governo da Polônia, Itália e Reino Unido, em encontro preparatório para a cúpula da Otan, prevista para o início de julho.
O grupo, conhecido como E5 e formado pelas principais potências militares europeias, se reuniu para alinhar posições antes do encontro da aliança atlântica.
Friedrich Merz defendeu que os aliados europeus da Otan assumam um compromisso financeiro robusto com Kiev.
"A mensagem para a Rússia é esta: a Ucrânia permanece forte e o apoio da Europa não está diminuindo", declarou o chanceler em entrevista coletiva após o encontro.
Friedrich Merz também mencionou que, durante a reunião do G7 realizada na semana passada na França, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria adotado uma posição mais favorável à Ucrânia, contribuindo para uma nova aproximação entre os aliados ocidentais em torno do apoio ao país diante da invasão russa.
Macron, por sua vez, destacou o que classificou como uma "reconvergência entre europeus e americanos" observada durante a cúpula do G7.
Segundo o presidente francês, pela primeira vez em 18 meses todos os integrantes do grupo assinaram um texto comum reafirmando o apoio à integridade territorial e à soberania da Ucrânia.
Ele defendeu que esse alinhamento seja consolidado na próxima reunião da Otan.
As declarações dos líderes europeus ocorreram no mesmo dia em que um ataque russo na região de Kherson, no sul da Ucrânia, matou dois funcionários da ONG norueguesa de desarmamento de minas Norsk Folkehjelp e feriu outros quatro.
O chefe da missão da organização na Ucrânia, Bujar Hoxha, inicialmente informou que seis funcionários haviam sido atingidos, com um morto e cinco feridos, um deles em estado crítico.
Posteriormente, o chefe da administração militar regional de Kherson, Oleksandr Prokudin, anunciou que um segundo funcionário não resistiu aos ferimentos.
A Procuradoria de Kherson informou à AFP que a área foi atingida por mísseis.
De acordo com Hoxha, há indícios de que tenham sido utilizadas munições de fragmentação.
Ele acrescentou que não havia alerta de ataque aéreo em vigor no momento e que uma investigação foi aberta para apurar as circunstâncias do bombardeio.
A Norsk Folkehjelp informou que possui mais de 450 funcionários na Ucrânia.
A região de Kherson, parcialmente ocupada pelas forças russas, é alvo frequente de ataques, especialmente com drones.
Organizações humanitárias vêm sendo atingidas repetidamente desde o início da invasão russa, em 2022.
Em maio deste ano, um veículo de uma missão humanitária da ONU foi atacado por drones russos.
Em setembro de 2025, dois desminadores do Conselho Dinamarquês para Refugiados (DRC) morreram na região, enquanto, em fevereiro de 2024, dois trabalhadores humanitários da ONG suíça HEKS/EPER também perderam a vida em Kherson.
O cenário reforça a gravidade dos riscos enfrentados por trabalhadores humanitários no território ucraniano, ao mesmo tempo em que Friedrich Merz e os demais líderes europeus buscam consolidar uma frente unida de apoio a Kiev antes da cúpula da Otan.