MG: Pai que matou suspeito de estuprar a filha é absolvido

Foto: TRT13
Tribunal do Júri de Formiga, em MG, absolve homem que matou padrasto acusado de abusar da filha por anos
Um homem acusado de matar um idoso de 62 anos foi absolvido pelo Tribunal do Júri da Comarca de Formiga, na Região Oeste de Minas Gerais. A filha do réu era abusada sexualmente desde os 12 anos pelo idoso, que era padrasto dela. A defesa sustentou que o acusado agiu movido pelo desespero diante do sofrimento prolongado da filha. Ao encerrar a defesa, o advogado declarou que o acusado havia salvado a filha e deveria ser reconhecido como herói.
"Eu tenho certeza que se o senhor for preso aqui hoje, os policiais não vão ficar felizes de te levar embora, mas eles serão obrigados. Então, levanta essa cabeça, você é homem, é um herói", afirmou. O momento foi registrado em vídeo. O julgamento ocorreu na última terça-feira (2). Caso os jurados tivessem acatado o pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o acusado poderia ter recebido uma pena de até 30 anos de prisão, uma vez que o órgão solicitou a condenação por homicídio qualificado pelo recurso que impossibilitava a defesa da vítima.
A história teve início em 2002, quando a ex-esposa do acusado se separou dele para viver com outro homem. Na época, o casal tinha uma filha ainda bebê. A partir desse momento, o pai foi impedido de ter qualquer contato com a própria filha. Quando a menina completou 12 anos, passou a ser abusada pelo padrasto. Aos 18 anos, ele obrigou a enteada a deixar a casa onde moravam para viver sozinha com ele na cidade de Pimenta, também localizada na Região Oeste de Minas Gerais. Pouco tempo depois, em 2020, o pai da jovem decidiu colocar um fim à situação e foi até a residência onde ela vivia com o homem.
O objetivo era retirar a filha de lá, mas, ao comunicar sua intenção ao suspeito, encontrou resistência. Diante disso, o pai efetuou os disparos que resultaram na morte do padrasto. Com a absolvição pelo Tribunal do Júri de Formiga, o acusado foi liberado sem cumprir pena, encerrando um caso que mobilizou a opinião pública e levantou debates sobre os limites da legítima defesa e a proteção de vítimas de abuso sexual.