Lula e Flávio correm para fechar alianças estaduais a menos de quatro meses das eleições

Lula e Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro enfrenta indefinições em seis estados, enquanto Lula ainda busca fechar alianças em três, a menos de quatro meses das eleições
A menos de quatro meses das eleições municipais, os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto ainda correm para fechar alianças e consolidar palanques estaduais. Levantamento feito pelo Metrópoles aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem apenas três estados com indefinições, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) enfrenta incertezas em seis estados. A montagem das candidaturas aos governos estaduais é considerada peça-chave para impulsionar as campanhas presidenciais de Lula e de Flávio Bolsonaro. Neste ano, além do presidente da República, os eleitores escolherão governadores, dois senadores, deputados federais e estaduais.
Minas Gerais sem definição
Considerado estratégico para o sucesso nas disputas pelo Planalto, Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, é o único estado em que tanto o PT quanto o PL ainda não têm candidatos confirmados ao governo. Sob influência direta de Lula, o PT trabalhava com a possibilidade de lançar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) para a disputa. Pacheco, no entanto, nunca demonstrou convicção em embarcar em mais uma empreitada eleitoral e anunciou recentemente que não concorrerá nas eleições deste ano.
Diante disso, o PT passou a considerar outras alternativas. Os dirigentes avaliam o cenário como complexo, uma vez que os nomes cogitados dentro do partido têm evitado a disputa ao Executivo estadual. É o caso da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que já reiterou o desejo de manter sua candidatura ao Senado. A cúpula petista mantém conversas com Josué Gomes e Jarbas Soares, mas ainda não chegou a uma decisão oficial. O PL, por sua vez, também não conseguiu fechar o nome que representará Flávio Bolsonaro em Minas. A principal aposta é o senador Cleitinho (Republicanos), que ainda não decidiu se disputará o governo local. PL e Republicanos firmaram um acordo para caminharem juntos na eleição estadual.
As indefinições de Flávio Bolsonaro
Além de Minas Gerais, Flávio Bolsonaro ainda não fechou completamente os candidatos próprios ou apoiados em mais cinco estados. Em quatro deles, as tratativas são consideradas mais avançadas: Alagoas, Amapá, Espírito Santo e Pernambuco. No Amapá, é quase certa a aliança com o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD). No Espírito Santo, a expectativa é de que o partido avance para apoiar o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos). Em Pernambuco, o cenário exige maior articulação. O PL mantém negociações com a atual governadora Raquel Lyra (PSD), mas ela ainda não deu uma sinalização concreta de que apoiará publicamente Flávio Bolsonaro nas eleições de outubro. Ao mesmo tempo, Raquel tem feito acenos a Lula, que deve apoiar oficialmente o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) para o governo pernambucano. Em Alagoas, o partido negocia com João Henrique Caldas (PSDB), ex-prefeito de Maceió e provável postulante ao executivo estadual. Já no Maranhão, o PL trabalha com o prazo de julho para definir sua candidatura.
Confira os apoios confirmados e indefinidos de Flávio Bolsonaro por estado:
Acre: Mailza Assis (PP)
Alagoas: indefinido
Amapá: indefinido
Amazonas: Maria do Carmo (PL)
Bahia: ACM Neto (União)
Ceará: Ciro Gomes (PSDB)
Distrito Federal: Celina Leão (PP)
Espírito Santo: indefinido
Goiás: Wilder Moraes (PL)
Maranhão: indefinido
Mato Grosso: Wellington Fagundes (PL)
Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP)
Minas Gerais: indefinido
Pará: Dr. Daniel Santos (Podemos)
Paraíba: Efraim Filho (PL)
Paraná: Sergio Moro (PL)
Pernambuco: indefinido
Piauí: Toni Rodrigues (PL)
Rio de Janeiro: Douglas Ruas (PL)
Rio Grande do Norte: Alvaro Dias (PL)
Rio Grande do Sul: Zucco (PL)
Rondônia: Marcos Rogério (PL)
Roraima: Arthur Henrique (PL)
São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Santa Catarina: Jorginho Mello (PL)
Sergipe: Ricardo Marques (PL)
Tocantins: Professora Dorinha (União)
Palanques em aberto no PT
O PT ainda não consolidou a formação de palanques em outros dois estados, além de Minas Gerais: Goiás e Tocantins. Em Goiás, uma ala da legenda defende a candidatura da deputada federal Adriana Accorsi, que disputou a prefeitura de Goiânia em 2016, 2020 e 2024 sem conseguir se eleger. Outro grupo interno sinalizava a possibilidade de lançar o empresário e produtor rural Flávio Faedo, mas ele afirmou nesta semana que não será candidato. No Tocantins, o diretório local espera um posicionamento da cúpula nacional. Uma ala do partido defende o lançamento da ex-senadora e ex-ministra Kátia Abreu, recém-filiada à sigla, como candidata ao governo estadual.
Confira os pré-candidatos apoiados por Lula por estado:
Acre: Thor Dantas (PSB)
Alagoas: Renan Filho (MDB)
Amapá: Clécio Luís (União)
Amazonas: Omar Aziz (PSD)
Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT)
Ceará: Elmano de Freitas (PT)
Distrito Federal: Leandro Grass (PT)
Espírito Santo: Helder Salomão (PT)
Goiás: indefinido
Maranhão: Felipe Camarão (PT)
Mato Grosso: Natasha Slhessarenko (PSD)
Mato Grosso do Sul: Fábio Trad (PT)
Minas Gerais: indefinido
Pará: Hana Ghassan (MDB)
Paraíba: Lucas Ribeiro (PP)
Paraná: Requião Filho (PDT)
Pernambuco: João Campos (PSB)
Piauí: Rafael Fonteles (PT)
Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD)
Rio Grande do Norte: Cadu Xavier (PT)
Rio Grande do Sul: Juliana Brizola (PDT)
Rondônia: Expedito Netto (PT)
Roraima: Antônia Pedrosa (PT)
São Paulo: Fernando Haddad (PT)
Santa Catarina: Gelson Merisio (PSB)
Sergipe: Fabio Mitidieri (PSD)
Tocantins: indefinido
Com as eleições se aproximando, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro seguem em ritmo acelerado de negociações para consolidar seus palanques estaduais, peça fundamental para o desempenho nas disputas ao Palácio do Planalto.