
José Cruz/Agência Brasil
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou "profunda preocupação" com o possível novo tarifaço comercial dos Estados Unidos sobre as importações brasileiras. Em nota divulgada nesta terça-feira (2/6), a entidade alertou que as medidas anunciadas pela Casa Branca podem representar "um forte impacto negativo" para o comércio entre os dois países. Na segunda-feira (1º/6), o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) propôs taxar as importações brasileiras em 25%, alegando práticas consideradas "irrazoáveis".
A proposta é resultado de uma investigação sobre o Pix aberta pelo governo norte-americano e ainda passará por audiências públicas antes de uma decisão final, que caberá ao presidente dos EUA, Donald Trump, e está prevista para julho.
O comunicado, assinado pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e pelo presidente do Conselho Superior de Relações Exteriores da federação, Roberto Azevêdo, foi direto ao ponto: "A Fiesp acompanha com profunda preocupação o relatório preliminar da Seção 301, divulgado pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A proposta apresentada contém um forte impacto negativo para as relações comerciais bilaterais e na competitividade do Brasil".
Skaf também cobrou uma postura mais ativa do governo federal diante do cenário. "A diplomacia empresarial cumpriu um papel relevante na negociação das exclusões de uma lista de produtos até aqui. Neste momento, no entanto, é fundamental uma atuação rápida e firme do governo brasileiro para evitar a confirmação de prejuízos graves às exportações do país antes da decisão final, esperada para julho", afirmou o presidente da Fiesp.
A entidade reiterou ainda "seu compromisso em colaborar com as autoridades" e declarou que "seguirá empenhada na diplomacia empresarial para reverter as medidas propostas ou mitigar seus impactos no Brasil".
A investigação norte-americana concluiu que certos atos, políticas e práticas do Brasil são "irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA". A conclusão foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Ao longo do processo, mais de 30 pessoas foram ouvidas, gerando mais de 295 comentários e réplicas.
A proposta prevê algumas isenções à taxa de 25%, contemplando materiais informativos, doações e uma lista que inclui determinadas carnes, frutas e café. Segundo o USTR, as isenções se aplicam a produtos que, com a sobretaxa, poderiam escassear no mercado norte-americano. Sobre os próximos passos, o representante comercial informou que o público poderá enviar comentários por escrito até 1º de julho.
Uma primeira audiência está marcada para 6 de julho, e os pedidos de participação presencial devem ser enviados até 22 de junho. A investigação teve início em 15 de julho do ano passado, por determinação de Trump, logo após os EUA taxarem produtos brasileiros em 50%, citando práticas consideradas "desleais". Ao longo do último ano, o tema das tarifas e a reversão de parte delas estiveram presentes em diversas conversas entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sendo a mais recente realizada em maio, na Casa Branca.