Acordo EUA-Irã tem 14 pontos e prevê suspensão de sanções

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Memorando de 14 pontos prevê abertura do Estreito de Ormuz em 30 dias e suspensão de sanções americanas ao petróleo iraniano
Os presidentes dos Estados Unidos e do Irã assinaram, na quarta-feira (17), um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio. O entendimento foi firmado durante um jantar no Palácio de Versalhes, com a presença do presidente francês Emmanuel Macron e de Donald Trump. O memorando de 14 pontos foi assinado eletronicamente pelo presidente iraniano Masud Pezeshkian, conforme informou a chancelaria do país.
O texto prevê que Washington suspenda, a partir da assinatura, as sanções à venda de petróleo iraniano e o bloqueio a portos do país. Nos próximos dois meses, as duas nações deverão discutir um mecanismo para tratar da estocagem das reservas de urânio enriquecido do Irã, com a utilização de um método de diluição sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Entre os pontos centrais do acordo está a abertura imediata do Estreito de Ormuz, conforme destacou o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como mediador nas negociações.
Sharif confirmou uma cerimônia na Suíça na próxima sexta-feira (19) para "comemorar esse evento de destaque e dar o impulso inicial às negociações técnicas", que devem durar 60 dias. O Estreito de Ormuz, que deverá ser totalmente liberado em um prazo de 30 dias, permanecerá aberto durante a nova rodada de negociações. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou à TV estatal que a passagem "não voltará à situação anterior à guerra". "O Irã tem direito de soberania sobre Ormuz e certamente cobraremos um pedágio por esses serviços", ressaltou. Para Ghalibaf, "o acordo atesta o fracasso dos Estados Unidos".
"As pessoas vão conhecê-lo e tirar suas próprias conclusões." O governo americano se comprometeu, em caso de acordo definitivo, a mediar, "com seus parceiros regionais", a disponibilização de um fundo de US$ 300 bilhões (R$ 1,53 trilhão) para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, sem participação financeira americana. Para o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qasem, o acordo é "uma grande vitória" para o Irã.
Ele agradeceu ao país por ter insistido em incluir o Líbano nas negociações. O país entrou no conflito quando o Hezbollah disparou foguetes contra Israel em apoio ao regime iraniano, em 2 de março. O chefe do Hezbollah também pediu que o governo libanês encerre as negociações diretas com Israel, iniciadas em abril e acompanhadas por Washington. O presidente libanês, Joseph Aoun, havia assegurado que esse processo é "independente" do acordo entre Estados Unidos e Irã. A China avaliou que a assinatura "tem um significado positivo para apaziguar as tensões e reforçar a dinâmica do cessar-fogo". Por meio de um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, o país afirmou que "celebra essa evolução e espera que todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos e o Irã, respeitem o acordo e honrem escrupulosamente seus compromissos".
"A China espera que tanto os Estados Unidos quanto o Irã abordem a segunda fase das negociações de maneira racional e pragmática e façam concessões recíprocas", acrescentou Jian durante uma coletiva de imprensa regular em Pequim. O porta-voz também lembrou a ação diplomática da China e o apoio concedido à mediação paquistanesa, afirmando que o país "continuará a desempenhar um papel ativo e construtivo para alcançar uma paz e estabilidade duradouras no Oriente Médio e na região do Golfo".
Ao ser questionado sobre a continuidade das operações militares de Israel no Líbano, Jian respondeu que "neste estágio crítico, todas as partes interessadas, incluindo Israel, devem agir no interesse da paz e da estabilidade regionais" e em favor da diplomacia "em vez do contrário". A AIEA afirmou estar pronta para definir as "medidas concretas" que deverão ser adotadas após a assinatura do acordo. "Agora, cabe a nós nos sentarmos com nossos colegas americanos e iranianos e começar a definir as medidas adotadas" no âmbito de negociações previstas para ocorrer dentro de 60 dias, declarou à imprensa, em Genebra, o diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi. Em declaração conjunta, os membros do G7 — Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido — celebraram o acordo como "uma oportunidade histórica para impedir que o Irã adquira qualquer arma nuclear e abordar as ameaças relacionadas a suas atividades regionais e balísticas".