Chile destrói ponte improvisada na fronteira com Bolívia para conter imigração

Imagem da bandeira do Chile • Arquivo
O Chile demoliu uma ponte improvisada usada para burlar barreiras do "Escudo Fronteiriço" na fronteira com a Bolívia
O governo do Chile destruiu uma ponte improvisada que havia sido construída para contornar um fosso cavado no deserto com o objetivo de impedir a entrada de imigrantes irregulares na fronteira com a Bolívia, no norte do país.
As autoridades chilenas divulgaram nas redes sociais um vídeo da operação, que mostrou uma escavadeira demolindo a estrutura de areia. A ponte permitia a travessia pelo fosso localizado na região de Tarapacá, no Deserto do Atacama, próximo à fronteira boliviana.
De acordo com o governo chileno, a estrutura era utilizada "por máfias que traficam mercadorias ou transportam veículos roubados" para o país vizinho. O Palácio de La Moneda se pronunciou pela rede social X, reforçando o compromisso com o controle das fronteiras: "Nosso escudo fronteiriço é monitorado e vigiado diariamente. Destruiremos toda intenção de ilegalidade. No nosso país a entrada é pela porta".
A destruição da ponte faz parte do plano "Escudo Fronteiriço" do governo de José Antonio Kast, que assumiu o poder em março com a promessa de combater a imigração irregular. O subsecretário chileno do Interior, Máximo Pavez, avaliou positivamente a operação: "Isso mostra que esse elemento de contra-mobilidade está funcionando".
Pavez reconheceu que novas tentativas de burlar os controles físicos instalados nas fronteiras podem ocorrer, mas garantiu que, sempre que existirem, "serão resolvidas rapidamente pelos órgãos do Estado". O subsecretário foi além e deixou claro o posicionamento do governo:
"Todas as tentativas de obstruir o trabalho dessa barreira de contramobilidade serão enfrentadas pelo Exército do Chile e pelo ministério de Obras Públicas, de forma que não haverá espaço para retroceder no controle da fronteira".
No mês anterior, o governo Kast também anunciou a fiscalização de empresas que contratam imigrantes em situação irregular no país. Estima-se que 330 mil migrantes estejam no Chile sem a devida documentação, correndo o risco de expulsão pelo atual governo.
Kast chegou ao poder com a promessa de impedir que estrangeiros em situação irregular entrem ou permaneçam em território chileno. O governo já deu início a voos de expulsão, mas afirma não dispor de recursos suficientes para realizar todas as deportações. Há ainda dificuldades específicas no caso dos venezuelanos, já que o governo Kast não mantém relações diplomáticas com o governo de Delcy Rodríguez.