El Niño é oficialmente confirmado e pode bater recordes históricos

Mapa global mostra anomalias da temperatura da superfície dos oceanos - Foto: NOAA/Nesdis
A NOAA confirmou o início oficial do El Niño, com 63% de chance de se tornar um "Super El Niño" e impactar o clima global até 2026
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos confirmou oficialmente o início do fenômeno climático El Niño. O anúncio encerra um período de neutralidade e sinaliza uma mudança significativa nos padrões meteorológicos globais para os próximos meses.
Caracterizado pelo aquecimento das águas na região leste do Pacífico tropical, o evento deste ano se projeta como um dos mais potentes já monitorados pela ciência moderna. Para que o El Niño seja declarado, a NOAA utiliza critérios rigorosos baseados na temperatura da superfície do mar.
O limite principal é atingido quando as águas permanecem pelo menos 0,5 grau Celsius acima da média histórica por um período de três meses em uma área específica conhecida como NINO3.4. Além do aquecimento, o nível do mar na região tropical subiu cerca de 18 centímetros, impulsionado por ventos que sopram do oeste e empurram a massa de água quente.
Essa alteração térmica no oceano influencia diretamente a atmosfera, criando um efeito cascata de consequências meteorológicas. Entre os impactos esperados estão o aumento das chuvas no sudoeste dos Estados Unidos e a redução da probabilidade de uma temporada ativa de furacões no Atlântico. Em contrapartida, o risco de secas severas cresce em regiões como a Indonésia e o Sahel, na África.
A ameaça de um Super El Niño em 2025 e 2026
A grande preocupação dos meteorologistas está na intensidade do fenômeno. Segundo a NOAA, existe uma probabilidade de 63% de que este El Niño ultrapasse o limite de dois graus Celsius acima da média, o que o classificaria como um "Super El Niño". Modelos climáticos mais agressivos sugerem que o aquecimento pode ser ainda maior, potencialmente quebrando todos os recordes históricos já registrados.
Historicamente, apenas quatro eventos atingiram o patamar de "super". O primeiro registro ocorreu entre 1982 e 1983, causando o transbordamento do Lago Mead, nos Estados Unidos.
A edição de 1997-1998 resultou na pior seca da história da Indonésia. Mais recentemente, o ciclo de 2023-2024 provocou a pior estiagem em 100 anos no sul da África, deixando 61 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e dependentes de assistência.
O El Niño atua como um motor que libera calor extra na atmosfera, agravando um planeta que já enfrenta temperaturas recordes devido à queima de combustíveis fósseis. Especialistas alertam que a combinação do fenômeno natural com as mudanças climáticas de origem humana pode tornar 2026 um dos anos mais quentes da história da humanidade.
Os principais riscos associados ao fenômeno incluem:
Impacto ambiental: O calor excessivo nos oceanos devasta recifes de corais, que já enfrentam dificuldades para sobreviver ao aumento das temperaturas globais.
Segurança alimentar: Secas prolongadas em regiões agrícolas podem desestabilizar o fornecimento global de alimentos e elevar os preços.
Eventos extremos: A maior energia na atmosfera favorece tempestades mais intensas e ondas de calor sem precedentes em diversas latitudes.
O cenário traçado pela NOAA reforça a urgência de monitoramento contínuo do El Niño e de seus desdobramentos. A combinação do fenômeno com o aquecimento global já em curso representa um desafio para governos, populações vulneráveis e sistemas de produção de alimentos ao redor do mundo.