Ministro diz que Brasil quer equilibrar fiscal e justiça social

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Ministro da Fazenda afirma que governo debaterá parâmetros do arcabouço fiscal e critica cultura do rentismo no Brasil
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende discutir os parâmetros do arcabouço fiscal com o objetivo de equilibrar a justiça social e a responsabilidade fiscal. A declaração foi feita em entrevista à Warren Investimentos, gravada na última sexta-feira, 12, e divulgada na segunda-feira, 15. "Não tem como fugir de um debate que seja equilibrar um mínimo de legitimidade de justiça social, de atendimento que o País precisa com a demanda de cumprir a responsabilidade fiscal, ter as contas públicas em dia", afirmou Durigan.
O ministro destacou ainda que o governo aprimorou o arcabouço fiscal com a introdução de gatilhos mais rígidos e declarou que a oposição não terá como encontrar um novo "Posto Ipiranga", pois o cenário já está definido. "A raia que nós vamos discutir é como fazer esse equilíbrio, se é com 2,5%, 1,5%, se é com 3%, mas é isso, o debate está dado. A gente tem que equilibrar as coisas, de novo, melhorando a nossa trajetória fiscal", completou o ministro.
Na mesma entrevista, Durigan abordou a relação entre o cenário fiscal e os juros altos no Brasil. Para ele, existe uma cultura de rentismo no país que pressiona as taxas de juros para cima, e o fiscal não deve ser tratado como o único responsável por esse problema. "Eu acho que tem uma cultura do rentismo brasileiro que exige uma taxa de juros mais alta do que em outros países, mas sem dúvida nenhuma o fiscal faz parte desse debate. Ele não deve ser a resposta fácil, que se dá como placebo para tudo, mas o meu papel à frente da Fazenda é que a gente melhore o fiscal na maior medida que a gente puder", afirmou o ministro.
Segundo Durigan, o cenário fiscal tem influência sobre a inflação e os juros, mas não é a causa principal das taxas elevadas. Ele apontou outros fatores que contribuem para esse quadro, como a falta de poupança e a volatilidade do mercado de câmbio. "Tem outros elementos que compõe essa colcha de retalhos. O fiscal é um deles, eu não estou fugindo da raia, mas outro dos elementos é a falta de poupança que nós temos no País, seja pública ou privada", completou Durigan. O ministro reforçou que seu papel à frente da Fazenda é avançar na melhora do cenário fiscal dentro das possibilidades existentes, sem abrir mão do atendimento às demandas sociais do país.