Durigan descarta mudar meta de inflação

Foto; Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda
Ministro da Fazenda defende ajustes nos índices de preços, mas mantém posição contrária a alterações na meta do CMN
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou qualquer alteração na meta de inflação definida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), mas se mostrou favorável a uma discussão sobre possíveis ajustes no cálculo dos índices de preços utilizados no país. Em entrevista à Warren Investimentos, Durigan apontou uma defasagem na composição dos índices que medem a inflação.
Segundo o ministro, os modelos atuais ainda atribuem relevância a produtos que perderam importância no consumo das famílias, enquanto itens que ganharam espaço nas despesas cotidianas recebem menor peso na metodologia. "O nosso modelo [de cálculo da inflação] dá peso para coisas que hoje não têm mais o peso que tinham anteriormente, e coisas que hoje têm peso, assinatura de streaming e serviço de nuvem às vezes já pesam muito mais do que algo que estava na metodologia décadas atrás", afirmou Durigan. Quanto à meta propriamente dita, Durigan foi categórico ao rechaçar mudanças.
Para o ministro, a meta de 3% estabelecida pelo CMN, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual — variando entre 1,5% e 4,5% —, deve ser mantida. "Eu hoje não mexeria na meta, mas acho que tem muito aprimoramento na relação entre a área econômica e o Banco Central, em várias frentes", avaliou. O tema ganhou relevância após a inflação acumulada em 12 meses voltar a superar o teto da meta em maio.
O rompimento pontual não obriga o Banco Central a prestar esclarecimentos formais, mas exige um posicionamento caso a situação persista por cinco meses consecutivos. Vale lembrar que, até 2025, a análise considerava o acumulado até dezembro de cada ano — uma mudança que, segundo Durigan, ainda não foi totalmente assimilada. "Eu acho que a meta contínua ainda não foi bem digerida pela nossa sociedade e, principalmente, quem estuda e trabalha com a meta de inflação", disse o ministro.
Durigan também defendeu melhorias no Boletim Focus, relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central com as expectativas do mercado financeiro. Para o ministro, o documento pode ser aprimorado com mais dados e a inclusão de outros índices, contribuindo para uma condução mais eficiente da economia. "Se a gente for fazer algo para melhorar o Focus e dar mais transparência, eu vejo sempre com bons olhos", declarou. Assim, Durigan deixou claro que sua posição é de preservar a meta vigente, mas abrir espaço para aperfeiçoamentos metodológicos e maior transparência nos instrumentos de monitoramento da inflação no Brasil.