Novo Desenrola já renegociou 6 milhões de dívidas, diz ministro da Fazenda

Desenrola 2.0 - Crédito: Imagem gerada por IA/Reprodução IG
Ministro Dario Durigan afirma que o Desenrola Brasil deve chegar a 10 milhões de dívidas renegociadas até o fim do mês
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que o programa Novo Desenrola Brasil já renegociou seis milhões de dívidas e deve alcançar a marca de dez milhões de contratos renegociados até o fim do mês. A declaração foi feita em entrevista ao UOL News, na qual o ministro também abordou os impactos dos juros elevados e da guerra no Oriente Médio sobre a economia brasileira.
Segundo Durigan, o Desenrola permitiu que 4 milhões de brasileiros saíssem do cadastro negativo, ao quitarem pendências que os impediam de acessar novas operações de crédito. O ministro destacou ainda que mais de 1,1 milhão de pessoas pagaram dívidas vencidas à vista, com desconto médio de até 80%, enquanto outro grupo de 1,7 milhão de dívidas foi renegociado por meio do programa.
Durigan apresentou o Desenrola como um exemplo concreto das medidas que o governo está adotando para reduzir os impactos dos juros elevados e do conflito internacional na vida da população. "Claro que eu não acho que está tudo bem para a população. Em nenhum momento eu disse isso. A nossa sensibilidade com a população é muito grande. Mas não acho que esse seja um governo que não esteja olhando para os juros altos", afirmou o ministro.
Juros e guerra no centro do debate econômico
O ministro explicou que os juros estão pressionados por fatores históricos e conjunturais. Além da taxa básica de juros historicamente elevada no Brasil, o conflito no Oriente Médio provocou o encarecimento dos combustíveis, com reflexos diretos nos índices de preços.
Diante disso, o governo lançou medidas de subvenção para combustíveis como gasolina, diesel e QAV. "Tudo que puder ser feito para mitigar o impacto da guerra nos preços será feito. A começar por combustível, que é o primeiro elemento da nossa cesta de consumo, que está sendo impactada pela guerra. E nós vamos renovar isso, com cuidado, para não virar medidas que depois a gente não consiga retomar. Enquanto houver esse efeito da guerra, medidas de combustíveis serão adotadas", declarou Durigan.
Compromisso com a responsabilidade fiscal
Apesar do cenário desafiador, Durigan foi categórico ao reafirmar o compromisso do governo com as metas fiscais, descartando qualquer exceção motivada pela guerra. O ministro deixou claro que não utilizará o conflito como justificativa para flexibilizar a regra fiscal vigente.
"Nós vamos cumprir a regra fiscal acertada antes da guerra? Nós vamos cumprir. Eu não vou usar o argumento de que teve uma guerra, para dizer que eu tenho que fazer uma série de ajudas ao programa Soberano ou por meio de combustíveis, que eu vou mudar minha regra fiscal, que eu vou abrir uma exceção. Nós não vamos fazer isso. Sigo com minha regra fiscal e vou bater minha meta fiscal", afirmou o ministro da Fazenda.
Com o Desenrola caminhando para atingir dez milhões de dívidas renegociadas até o fim do mês, o governo reforça sua estratégia de combinar alívio financeiro para a população com disciplina nas contas públicas, mesmo diante das pressões externas geradas pelo conflito no Oriente Médio.