
EDILSON RODRIGUES/AGENCIA SENADO
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, negou nesta segunda-feira (1/6) qualquer relação entre a operação policial realizada na sede da produtora Go UP Entertainment e o filme "Dark Horse", documentário sobre Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita rapidamente a jornalistas na chegada a um evento no Rio de Janeiro. "Não tem nada a ver com o filme", afirmou o senador ao ser questionado sobre a ação da Polícia Civil de São Paulo.
A negativa de Flávio contrasta com o que revelou a "Folha de S.Paulo": o delegado responsável pela investigação apontou "consistentes suspeitas" de desvio de recursos públicos da Prefeitura de São Paulo para a produção do filme "Dark Horse" no pedido de acesso a dados financeiros da empresa. A Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação nesta segunda-feira em quatro endereços: a sede da Go UP Entertainment, produtora do filme "Dark Horse"; um endereço da dona da produtora, Karina Ferreira da Gama; a sede da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia; e a sede do ICB (Instituto Conhecer Brasil), entidade presidida pela própria Karina.
A operação foi autorizada pela Vara de Garantias do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) e tem origem em uma investigação sobre um contrato firmado entre o ICB e a gestão Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo para o fornecimento de Wi-Fi gratuito. O contrato, avaliado em R$ 108 milhões, foi alvo de requerimento do Ministério Público que deu início à apuração policial. Os crimes investigados incluem frustração do caráter competitivo de procedimento licitatório, fraude na execução de contrato administrativo e emprego irregular de verbas ou rendas públicas, todos previstos no Código Penal.
A linha de investigação aponta que o instituto de Karina teria sido contratado de forma irregular pela prefeitura, por valor acima do praticado pelo mercado, com pagamentos realizados mesmo sem a prestação dos serviços. Segundo a polícia, há suspeita de que parte dos recursos desviados do município tenha sido destinada à produção do filme sobre Bolsonaro.
O ofício assinado pelo delegado, sob análise da Vara Regional de Garantias do TJ-SP, é enfático: "Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial [entre o instituto e a produtora] e de que os recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo". Flávio Bolsonaro participou, no mesmo dia, de um evento do projeto Prisma-RJ, na capital fluminense, organizado por pesquisadores da Coppe/UFRJ.
A iniciativa reúne estudos técnicos para a implantação da linha 3 do metrô, que prevê a conexão de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí com a cidade do Rio de Janeiro. O projeto contou com emenda parlamentar destinada pelo próprio Flávio, segundo a organização do evento. A operação policial coloca em evidência o filme "Dark Horse" e levanta questionamentos sobre a origem dos recursos utilizados em sua produção, enquanto o senador Flávio Bolsonaro insiste em negar qualquer vínculo entre a ação investigativa e o documentário.