CE: Vaqueiro é morto após vencer competição e recusar dividir prêmio de R$ 1 mil

Francisco Eudazio Lira Soares, o Dadá Guedes, de 30 anos, foi morto a facadas após ser campeão de vaquejada em Quixeramobim. — Foto: Arquivo pessoal
Darlei Teixeira Vitor, o Sasom Boiadeiro, é apontado como o assassino do vaqueiro campeão morto a facadas em Quixeramobim
A Polícia Civil do Ceará identificou o suspeito de matar o vaqueiro Francisco Eudazio Lira Soares, conhecido como Dadá Guedes, de 30 anos, a facadas em Quixeramobim, no Sertão Central do Ceará. O crime ocorreu no último domingo (7), logo após a vítima vencer uma disputa de vaquejada na cidade.
O suspeito é Darlei Teixeira Vitor, de 55 anos, também conhecido como Sasom Boiadeiro, que está sendo procurado pelas autoridades. Segundo as investigações, Dadá Guedes dividiu o prêmio de R$ 2 mil com outro participante, ficando com R$ 1 mil. Informações preliminares apontam que o suspeito queria uma parte desse valor, mesmo não tendo se classificado para a etapa final da competição.
O crime
Conforme relatos de familiares e testemunhas ao g1, após a vitória, Dadá Guedes confraternizava com amigos quando o suspeito iniciou uma discussão, exigindo que o vaqueiro dividisse o prêmio com pessoas que não faziam parte de sua equipe. A vítima recusou o pedido.
A confusão cessou momentaneamente, e Dadá saiu para buscar o troféu na arena. Quando retornava ao caminhão para guardar o prêmio, ainda montado no cavalo, foi atacado com uma facada na virilha e outra no ombro.
Após ser ferido, Dadá Guedes caiu do cavalo e derrubou o troféu, que quebrou. Ele foi socorrido pelos colegas e levado a um hospital da região, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito fugiu do local em uma motocicleta.
Sasom Boiadeiro havia competido na vaquejada no sábado (6), mas não se classificou para a etapa final disputada no domingo. Ele também é conhecido no meio por transportar bois.
Um amigo da vítima, que também ficou em 1º lugar e dividiu o prêmio com Dadá Guedes, afirmou ao g1 não saber a motivação do crime e destacou que o suspeito não teria direito a nenhuma parte do prêmio, uma vez que sequer chegou à fase final da competição.
Conforme a organização do evento, antes de ser morto, Dadá Guedes foi à arena com os outros vencedores para receber o troféu. No entanto, deixou o local antes de pegar o dinheiro, que foi recebido pelo patrão para ser repassado a ele posteriormente.
Agradecimento antes de ser morto
Minutos antes de ser assassinado, Dadá Guedes fez um discurso agradecendo pela vitória na categoria Rancho. "Só tenho a agradecer a Deus por tudo que tem feito na minha vida. [...] Não é fácil o cara fazer uma vaquejada dessas. Que Deus me abençoe, que dessa vez foi eu, graças a Deus", disse o vaqueiro nos agradecimentos.
No discurso, ele também lembrou de agradecer ao proprietário do cavalo, ao tratador do animal e outros trabalhadores. Antes de encerrar, brincou que quase esqueceu de agradecer à esposa. "Ah, agora ia arrumar um problema grande. Esqueci de agradecer minha esposa, que estava aqui e foi embora nesse instante. Ô problema grande", disse o campeão.
Colecionador de prêmios
Dadá Guedes era conhecido por ser habilidoso e por colecionar prêmios na vaquejada, conquistas que ele gostava de compartilhar em seu perfil nas redes sociais, publicando vídeos e fotos com os troféus.
Segundo a família, ele sempre trabalhou na lida com animais e era constantemente convidado para participar de vaquejadas, tanto como esteireiro — vaqueiro que conduz o animal e prepara a queda — quanto como puxador, responsável por derrubar o boi. "Tanto ele corria, como esteirava para várias pessoas. Muitas vezes na vaquejada dos amigos ele ia dar uma ajuda ao pessoal do curral", disse um parente da vítima, que terá a identidade preservada.
Oriundo de uma infância humilde, Dadá Guedes encontrou na vaquejada sua grande paixão, e foi por meio dela que teve a oportunidade de viajar pelo Ceará e outros estados. "O que ele mais gostava era de vaquejada. Se saía da vaquejada, quando chegava em casa ficava assistindo no celular, e era nos grupos com os amigos conversando sobre as coisas de vaquejada. Ele sempre foi caseiro, mas a diversão dele era a vaquejada", relatou um parente ao g1.
Dadá Guedes foi sepultado na segunda-feira (8), na zona rural de Quixeramobim. A cerimônia foi acompanhada por dezenas de amigos e familiares, que fizeram um cortejo pela cidade.
Parque de vaquejada se manifesta
A organização do Parque Custódio Rancho, inaugurado neste fim de semana, divulgou uma nota de pesar lamentando a morte do vaqueiro. "Neste momento de dor, nos solidarizamos com os familiares e amigos da vítima, rogando a Deus que conceda conforto e força para enfrentar essa irreparável perda. [...] Recebemos a notícia com grande tristeza e reforçamos nossos sentimentos de respeito e solidariedade à família e a todos que sofrem com essa perda", dizia a nota.
A organização também esclareceu que o crime aconteceu após o encerramento das atividades oficiais do evento. "Ressaltamos que, durante toda a realização do evento, foram adotadas medidas de segurança, contando com equipe de segurança privada e estrutura voltada à proteção dos participantes e do público presente", afirmou.
A morte de Dadá Guedes comoveu o meio da vaquejada no Ceará. O suspeito Sasom Boiadeiro segue sendo procurado pela Polícia Civil do estado.