Copa do Mundo vai gerar US$ 50 bi em apostas

Foto: fifaworldcup/ Instagram
Especialistas apontam que a Copa do Mundo de 2026 será o maior evento de apostas da história, com receitas superiores a US$ 50 bilhões
A receita com apostas durante a próxima Copa do Mundo deverá ultrapassar os US$ 50 bilhões (cerca de R$ 251 bilhões na cotação atual), segundo o especialista em apostas Darren Small, em declaração à AFP. O número representa um ganho extraordinário para as empresas do setor e deve superar com folga os valores registrados na edição de 2022, realizada no Catar. O crescimento expressivo se explica, em parte, pela expansão do torneio para 48 seleções, ante as 32 que disputaram a edição anterior. "Simplesmente o tamanho e o alcance deste torneio garantem que ele será o maior evento de apostas da história", afirmou David Stevens, chefe de Relações Públicas da casa de apostas inglesa Coral.
Além do formato ampliado, outro fator relevante é o perfil dos apostadores. Segundo Small, vice-presidente da Sportradar, uma das principais empresas de tecnologia esportiva do mundo, os clientes já não se limitam a apostar na vitória ou derrota de uma equipe. Hoje, há um interesse crescente pela "celebridade dos jogadores". "Esperamos um grande interesse nas apostas especiais sobre jogadores e no que chamamos de "bet builders", ou opções de apostas personalizadas", acrescentou Small. Esse modelo de aposta personalizada permite que o apostador combine diferentes previsões em uma única jogada.
"Veremos um interesse muito maior nesses tipos de apostas. Por exemplo: jogadores marcando gols com o pé esquerdo ou direito, número de passes, desarmes, qualquer dado estatístico", explicou o especialista. "E, a partir daí, os clientes constroem narrativas, histórias do tipo: "Acho que o time X vencerá esta partida, as duas equipes marcarão, o jogador X fará um gol de cabeça e haverá 15 escanteios"", observou Small. Para Stevens, esse tipo de aposta "à la carte" é "uma das áreas de crescimento mais rápido" do setor, satisfazendo o apetite de uma "nova base de clientes mais jovem" em busca de "oportunidades de apostas mais dinâmicas".
No que diz respeito aos favoritos ao título, Small afirma que Argentina e França lideram as preferências dos apostadores ao redor do mundo. A Inglaterra também desperta interesse considerável, com muitos torcedores britânicos apostando no encerramento de uma espera de 60 anos pelo segundo título mundial. "Na verdade, (para os apostadores britânicos) eles são os terceiros favoritos - atrás apenas da França e da Espanha - e, se Thomas Tuchel (o técnico da Inglaterra) puser fim a 60 anos de sofrimento, nós, agentes de apostas, teremos de arcar com um pagamento significativo", disse Stevens.
Ele ressaltou, no entanto, que "a natureza cada vez mais global do nosso negócio significa que uma vitória da Inglaterra não seria tão custosa quanto teria sido, digamos, uma década atrás". Entre as estrelas individuais, o astro francês Kylian Mbappé e o atacante norueguês Erling Haaland concentram grande volume de apostas para o título de artilheiro do torneio, que tem início previsto para o dia 11 de junho.
Mas há um nome que chama atenção de Small por razões inusitadas. O atacante neozelandês Ben Waine figura, surpreendentemente, entre os dez principais candidatos a artilheiro da Copa do Mundo, segundo as apostas registradas. O interesse no jogador foi descrito pelo especialista como "estranho" e "peculiar", já que Waine aparece à frente até mesmo da estrela de sua própria seleção, Chris Wood, do Nottingham Forest. Tanto Small quanto Stevens reconhecem que a distribuição geográfica das partidas entre Estados Unidos, Canadá e México representa um desafio logístico.
"O único desafio que enfrentamos é, obviamente, a questão dos horários dos jogos sob a perspectiva do público europeu", observou Small. "Os jogos da Costa Oeste exercerão certa pressão nesse sentido. Serão mais difíceis de acompanhar a partir da Europa. Mas também temos uma região sul-americana muito ativa, com o Brasil e outros países", completou. Small também destacou que, até o momento, há pouco interesse dos apostadores em um título para os Estados Unidos, um dos países-sede. Ainda assim, caso o país erga o troféu, a presença do presidente Donald Trump nas comemorações parece certa.
"Se os Estados Unidos desafiarem as probabilidades de 40 para 1 e erguerem essa taça, espere cotações extremamente baixas para a aposta sobre se o presidente estará bem no meio das comemorações!", disse ele, sorrindo. Com um torneio expandido, apostas cada vez mais personalizadas e um público global crescente, a Copa do Mundo de 2026 se consolida como o maior evento de apostas esportivas da história, movimentando cifras sem precedentes para o setor.