Cleitinho adia decisão sobre candidatura

Jefferson Rudy/Agência Senado
Senador mineiro adia novamente anúncio sobre disputa ao governo de MG; adversários citam "medo de virar vidraça"
Provavelmente não se encontra na história política brasileira um parlamentar com tanto apoio popular que, ao mesmo tempo, relute com tanta veemência em assumir uma pré-candidatura ao governo estadual como o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). O parlamentar lidera com folga todas as pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais e acumula 4,4 milhões de seguidores em uma de suas redes sociais. Para se ter uma noção do potencial eleitoral do senador, o ex-governador Romeu Zema (Novo) foi reeleito em 2022 com 6,094 milhões de votos no primeiro turno.
Ainda assim, na semana passada, Cleitinho protelou pela quarta vez a decisão sobre concorrer ao Palácio Tiradentes, deixando adversários e aliados sem uma resposta definitiva. Em discurso no Senado na quinta-feira (11/06), o parlamentar afirmou que só tomaria a decisão de entrar na corrida pelo governo mineiro após o encerramento da Copa do Mundo e das festas de São João. A competição futebolística termina em 19 de julho, enquanto as festas juninas, tradicionalmente realizadas em junho, costumam se estender até os primeiros dias de julho. O histórico de adiamentos de Cleitinho é extenso.
Em 3 de junho, durante encontro em Patos de Minas com a participação do pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), o parlamentar pediu dez dias para decidir sobre seus próximos passos na carreira política. O prazo venceu dois dias antes de ele anunciar que tudo ficaria para depois da Copa e do São João. Antes disso, em 3 de fevereiro, também em discurso no Senado, Cleitinho afirmou que paralisaria as discussões sobre sua possível candidatura porque um irmão estava em tratamento contra um câncer.
O primeiro adiamento, no entanto, havia ocorrido ainda em 2024, no dia 25 de novembro, quando, questionado sobre a possibilidade de disputar o governo do estado, o senador disse que tomaria a decisão em março. Após tantos prazos descumpridos, Cleitinho demonstrou preocupação com o impacto dos adiamentos. No mesmo discurso em que anunciou aguardar a Copa e o São João, o senador reagiu a rumores que circulam em Minas Gerais sobre os motivos de sua hesitação. "Não tem nada disso, isso deixa a gente chateado. Ficam falando que eu tô com medo de pegar um estado quebrado. Mas me chama a atenção alguns políticos que ficam soltando isso em Minas Gerais. São os mesmos que quebraram o estado e querem continuar tomando conta do estado", disse, sem citar nomes.
Em conversas reservadas, possíveis adversários do senador afirmam que, por ter construído uma trajetória de ataques, utilizando sobretudo as redes sociais, Cleitinho não reuniria condições de, como dizem, "virar vidraça". Esse seria, na avaliação desses prováveis concorrentes, o principal temor do parlamentar diante de uma candidatura ao governo estadual.