Cemig registra 1,1 mi sem luz por pipas com cerol

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A Cemig registrou crescimento de 45,7% nas interrupções de energia causadas por pipas com cerol em Minas Gerais em 2025.
Belo Horizonte – O hábito de empinar pipas com cerol próximo à rede elétrica segue causando sérios transtornos em Minas Gerais. Dados da Cemig revelam que, ao longo de 2025, mais de 1,1 milhão de consumidores tiveram o fornecimento de energia interrompido por ocorrências envolvendo pipas — um crescimento de 45,7% em relação a 2024, quando cerca de 765 mil clientes foram afetados.
Além do aumento no total de consumidores impactados, o número de registros também cresceu. As interrupções relacionadas à prática saltaram de 2.664 para 3.503 ocorrências no período, alta de 31,5%. Somente nos primeiros meses deste ano, a companhia contabilizou 879 ocorrências em todo o estado, afetando 205.392 consumidores. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os reflexos também são expressivos.
Em 2025, cerca de 667,5 mil clientes sofreram com interrupções provocadas por pipas na rede elétrica. Já neste ano, foram registradas 403 ocorrências, deixando mais de 108 mil consumidores sem energia. Diante desse cenário, a Cemig intensifica os alertas sobre os riscos de empinar pipas em áreas próximas à rede elétrica, especialmente quando há uso de cerol ou linha chilena.
Segundo Jorge Magno, engenheiro do Centro de Operações da Cemig, a brincadeira deve ocorrer apenas em locais seguros e distantes dos cabos de energia. "Hoje, a presença da rede elétrica nas áreas urbanas torna extremamente perigoso empinar pipas próximo aos cabos de energia. Dependendo da situação, a pessoa pode ficar exposta a tensões de até 13,8 mil volts. Por isso, é fundamental que pais e responsáveis orientem crianças e adolescentes sobre os riscos dessa prática", afirma. O especialista também alerta que tentar recuperar pipas presas em postes, transformadores ou fios pode resultar em acidentes graves. "Muitas pessoas utilizam bambus, vergalhões, arames ou outros objetos metálicos para tentar retirar a pipa da rede. Essa atitude pode provocar acidentes graves, inclusive fatais. Caso a pipa fique presa, a orientação é abandoná-la e nunca se aproximar da rede elétrica", reforça.
Além das interrupções no fornecimento de energia, o uso de cerol e linha chilena representa riscos à integridade física tanto de quem participa da brincadeira quanto de outras pessoas que circulam pelas vias públicas. Quando entram em contato com a rede elétrica, esses materiais podem provocar curtos-circuitos, rompimento de cabos e desligamentos que atingem grandes áreas. Em Minas Gerais, tanto a comercialização quanto o uso desses produtos são proibidos pela Lei Estadual nº 23.515/2019, que prevê multas que podem chegar a R$ 289,45 mil em casos de reincidência.
De acordo com Jorge Magno, os perigos vão além da capacidade de corte dessas linhas. "O uso de cerol e linha chilena potencializa o risco de acidentes. Além de causar interrupções no fornecimento de energia, esses materiais colocam em risco ciclistas, motociclistas, pedestres e os próprios usuários. É uma prática que deve ser evitada em qualquer situação", destaca. Para reduzir os riscos, a Cemig orienta que a soltura de pipas aconteça somente em locais abertos, longe da rede elétrica, de rodovias e de áreas com grande circulação de veículos.
A recomendação também é evitar a prática em dias chuvosos ou com incidência de raios. Entre as principais orientações estão não utilizar cerol ou linha chilena, não tentar retirar pipas presas na rede elétrica e buscar espaços adequados, como campos e parques. Em situações de acidente envolvendo a rede de energia, a orientação é manter distância do local e entrar em contato imediatamente com a Cemig pelo telefone 116.