Jovem de 19 anos morre ao tentar retirar pipa de fios elétricos em MG

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Jovem de 19 anos é internado após tentar retirar pipa de fios elétricos; Cemig registra alta de 45,7% nos impactos causados por pipas em MG
Um jovem de 19 anos está internado após ser atingido por uma descarga elétrica em Belo Horizonte na tarde de terça-feira (29/6). A vítima foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital João XXIII depois de tentar retirar uma pipa presa na rede elétrica no bairro Vila Santa Rita, na região do Barreiro. Segundo informações preliminares, o jovem estava em casa quando tentou alcançar a pipa enroscada nos fios, recebeu a carga de energia e acabou caindo. O estado de saúde da vítima não foi divulgado pelas autoridades.
O episódio ocorre em um contexto de crescimento preocupante dos acidentes e interrupções causados por pipas em Minas Gerais. Em 2025, mais de 1,1 milhão de pessoas ficaram sem energia no estado devido a pipas empinadas próximo às redes elétricas. Os dados da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) mostram que, em comparação ao ano anterior, houve um aumento de 45,7% nos impactos ao fornecimento de eletricidade. Ao longo do último ano, a Cemig registrou 3.503 interrupções no sistema elétrico causadas por pipas, alta de 31,5% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 2.664 ocorrências. Além dos transtornos para os consumidores, acidentes envolvendo a rede elétrica podem provocar choques e até mortes. O problema segue em alta em 2026. Somente nos primeiros meses deste ano, a companhia contabilizou 879 ocorrências relacionadas a pipas, que afetaram mais de 205 mil clientes em todo o estado.
Com a aproximação do período de férias e da temporada de ventos intensos, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) iniciou na última semana a Operação Linha Segura. A ação tem como objetivo conscientizar e coibir o uso de linhas cortantes, popularmente conhecidas como cerol e linha chilena. Usar cerol é crime previsto no artigo 132 do Código Penal, que trata de expor a vida de outras pessoas a perigo direto e iminente, com pena de três meses a um ano de prisão. Se resultar em morte, o responsável pode responder por homicídio culposo. A venda e o uso de linhas cortantes são proibidos em Minas Gerais. A legislação prevê multa de R$ 5.279, podendo chegar a R$ 263.950 em caso de reincidência. Em Belo Horizonte, uma lei municipal também pune a prática: a multa é de R$ 2 mil para quem usar o material e de R$ 4 mil para quem comercializá-lo, com valores dobrados em caso de reincidência.
A operação ocorre em todo o estado até 31 de agosto. O capitão Rafael Veríssimo, porta-voz da Polícia Militar, destacou que, apesar de grande parte da população conhecer os riscos, o uso ilegal dos artefatos persiste durante atividades recreativas. "Esse uso provoca um risco significativo em relação à integridade física de todos os usuários das vias públicas, sobretudo em relação aos condutores de motocicletas que realizam ali atividades do dia a dia por meio desse tipo de veículo e ficam mais expostos". Entre as ações previstas está o aumento de fiscalizações em estabelecimentos que vendem linhas cortantes, especialmente as chilenas, que possuem maior potencial de causar danos. Em caso de flagrante, além do proprietário poder ser preso, o estabelecimento pode ser multado pela Secretaria de Fazenda. Conforme Veríssimo, durante a ofensiva realizada em 2025, mais de 800 estabelecimentos comerciais foram alvo de fiscalizações, cerca de 2.200 pessoas foram abordadas, dezenas foram presas e houve 140 apreensões. O acidente com o jovem de 19 anos reforça os alertas da Cemig e das autoridades de segurança sobre os riscos de manusear pipas próximo à rede elétrica, um problema que segue crescendo no estado e que já afetou centenas de milhares de pessoas em 2026.