Justiça aceita denúncia e torna réus ex-assessores de Carlos Bolsonaro

Foto: Renan Olaz/CMRJ
Jorge Luiz Fernandes e outros seis ex-assessores do gabinete de Carlos Bolsonaro se tornam réus por suposta "rachadinha" de R$ 1,9 mi
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu Jorge Luiz Fernandes, ex-chefe de gabinete do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC), suspeito de liderar um esquema de "rachadinha" na Câmara Municipal do Rio. Outras seis pessoas, todas ex-assessores do gabinete, também passaram à condição de réus. Carlos Bolsonaro não figura entre os acusados.
Os sete réus respondem pelos crimes de organização criminosa e peculato. Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), o grupo participava de um esquema de devolução ilegal de parte dos salários de servidores ao responsável pelas nomeações aos cargos, Jorge Luiz Fernandes. A suposta fraude teria movimentado cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021, de acordo com informações da GloboNews.
A decisão judicial foi enfática ao destacar que "a investigação apurou a existência de um esquema de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro" e que "a justa causa para o recebimento da denúncia restou amplamente comprovada". Os acusados têm prazo de dez dias para apresentarem defesa por escrito. A próxima etapa prevista é o agendamento de depoimentos de testemunhas pelo juiz do caso, que tramita na 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa.
A denúncia do MP havia sido apresentada em setembro de 2024. Na ocasião, o órgão arquivou as apurações contra Carlos Bolsonaro por entender que não havia elementos suficientes para acusá-lo criminalmente. Carlos exerceu mandato na Câmara Municipal do Rio por sete legislaturas consecutivas e deixou o cargo de vereador no fim de 2025.
O caso foi reaberto pelo Ministério Público no início do ano passado, após o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordar dos argumentos apresentados para o arquivamento e enviar os autos para análise da Procuradoria-Geral de Justiça. A investigação ainda está em andamento, segundo a GloboNews.
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio eleitoral e é pré-candidato ao Senado por Santa Catarina. Ele teve a pré-candidatura lançada em evento com a presença do irmão, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas sua chegada ao cenário catarinense enfrenta resistência dentro do próprio PL no estado.
Como mostrou o Estadão, a entrada do ex-vereador carioca na disputa irritou lideranças locais, como a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PL), e quase desmantelou a chapa montada no estado. O senador Esperidião Amin (PP), que deveria concorrer com apoio dos bolsonaristas, acabou excluído da aliança com a imposição da família Bolsonaro. O partido definiu Carlos Bolsonaro e a deputada federal Carol de Toni para disputarem as duas vagas abertas ao Senado por Santa Catarina.