Cannes Lions 2026 fecha com 61 troféus do Brasil

Foto: Divulgação
Brasil acumula 61 leões no Cannes Lions 2026, liderado pelo case "Podia ser uma Heineken", com últimas categorias a serem anunciadas hoje
As agências brasileiras acumularam 61 troféus no Cannes Lions 2026, com 2 Grand Prix, 13 Ouros, 20 Pratas e 26 Bronzes conquistados até o momento. Nesta sexta-feira, serão divulgados os últimos vencedores do festival, nas categorias Film, Glass, Sustainable Development Goals, Grand Prix for Good e Titanium. O desempenho deste ano fica bem abaixo do registrado em 2025, quando o Brasil encerrou o festival com 95 troféus — mesmo após a polêmica envolvendo a cassação de prêmios da agência DM9. O recorde histórico de 115 premiações, alcançado em 2013, segue imbatível.
O case mais premiado do Brasil nesta edição foi "Podia ser uma Heineken", criado pelos escritórios de São Paulo e de Milão, na Itália, da Le Pub, agência que integra o Grupo Publicis. A iniciativa acumulou nove troféus ao longo do festival:
- Grand Prix na categoria Social & Creator
- Dois Ouros em Media
- Um Ouro e uma Prata em Direct
- Um Ouro e um Bronze em Brand Experience & Activation
- Um Ouro em Outdoor
- Uma Prata em Audio & Radio
Outro trabalho bastante premiado foi "Caramelo", da AlmapBBDO para a marca Pedigree, projeto que incentiva a adoção responsável de cães vira-latas. Após conquistar quatro troféus em 2025, incluindo um Titanium, o case somou cinco leões em 2026: um Ouro, uma Prata e um Bronze em Creative Effectiveness, além de um Bronze em Brand & Experience e um Bronze em Health & Wellness.
Neste ano, as agências do Brasil inscreveram 1.593 cases no Cannes Lions, volume 41% menor do que o registrado na edição anterior. Ainda assim, o país figurou como o terceiro que mais inscreveu trabalhos no festival, atrás apenas dos Estados Unidos, com 5.585 cases, e do Reino Unido, com 1.866 peças publicitárias. A retração brasileira foi proporcionalmente maior do que a queda global. No total, o Cannes Lions 2026 julgou 20.050 inscrições provenientes de 92 países, representando uma redução de 25% em relação a 2025.
A edição de 2026 do Cannes Lions foi marcada por um clima de desconfiança incomum para o principal festival de criatividade do mundo. A crise teve origem no ano anterior, quando a organização cassou o Grand Prix de Creative Data conquistado pela brasileira DM9, após concluir que o videocase apresentado ao júri continha conteúdos manipulados por inteligência artificial e informações imprecisas sobre os resultados da campanha. A investigação resultou ainda na retirada de outros trabalhos premiados da mesma agência, o que alimentou questionamentos sobre a veracidade dos cases inscritos e sobre a capacidade do festival de verificar as informações apresentadas pelos concorrentes.
O episódio reforçou críticas antigas da indústria sobre a cultura dos chamados "fantasmas" — campanhas com resultados exagerados, adaptados ou criados exclusivamente para premiações. Para responder às dúvidas levantadas, o Cannes Lions anunciou uma série de mudanças para esta edição, entre elas a obrigatoriedade de declarar o uso de inteligência artificial, novas ferramentas de detecção de conteúdo manipulado e a criação de um comitê dedicado à integridade das inscrições.
Além disso, os anunciantes identificados em cada case precisaram assinar um documento atestando a veracidade da iniciativa publicitária apresentada. A edição de 2026 foi amplamente encarada como um teste para recuperar a confiança de anunciantes, agências e jurados após o maior escândalo da história recente do festival.