STJ nega habeas corpus e mantém preso influenciador 'Buzeira'

Bruno Alexssander Souza Silva, mais conhecido como Buzeira, está preso • Reprodução/Redes Sociais
Quinta Turma do STJ mantém prisão do influenciador Buzeira por unanimidade, rejeitando pedido de habeas corpus e prisão domiciliar
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, por unanimidade, mais um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Bruno Alexssander Souza Silva, o influenciador digital conhecido nas redes sociais como "Buzeira". A decisão foi tomada pela Quinta Turma da Corte, que não encontrou fundamentos probatórios suficientes para revogar a prisão do influenciador, decretada em outubro de 2025 no âmbito da Operação Narco Bet da Polícia Federal.
O presidente da Turma, ministro Reynaldo Soares da Fonseca, havia solicitado vista do processo após argumentos levantados pela defesa, que pediu uma análise individualizada da participação de Buzeira nos fatos investigados. Na sessão de terça-feira (16), porém, o ministro acompanhou o voto do relator, ministro Messod Azulay Neto, que concluiu que Buzeira era um dos principais beneficiários do esquema criminoso investigado.
A defesa de Buzeira havia incluído no pedido de habeas corpus a solicitação de prisão domiciliar, alegando que um dos filhos do influenciador estaria doente. O ministro Fonseca, no entanto, considerou o pedido genérico, por ausência de documentação probatória referente ao diagnóstico médico da criança ou à comprovação da necessidade de assistência paterna.
O STJ manteve a prisão com base na "manutenção da ordem pública e pelo risco de retorno à prática criminosa por parte do acusado".
As acusações contra Buzeira
Buzeira foi preso no dia 14 de outubro, em Igaratá, no interior de São Paulo, durante uma operação da Polícia Federal que investigava um esquema de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas eletrônicas, as chamadas bets, com conexões ao tráfico internacional de drogas.
De acordo com as investigações, o influenciador integrava uma organização criminosa que utilizava técnicas sofisticadas de lavagem de dinheiro, incluindo movimentações financeiras em criptomoedas e transferências de capital entre países. Parte dos valores movimentados teria sido direcionada a estruturas empresariais ligadas ao setor de apostas eletrônicas.
No início deste mês, Buzeira também foi denunciado pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e organização criminosa em um inquérito separado, que investiga rifas clandestinas e fraudes na internet.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF, o influenciador ainda apresentaria indícios de ligação com o tráfico internacional de drogas e facções criminosas. O órgão aponta que Buzeira utilizava suas redes sociais para promover sorteios informais de bens de luxo sem autorização legal ou fiscalização, além de ser acusado de estelionato e fraude na arrecadação de valores.
O Tribunal de Justiça Federal da 5ª Vara Federal de Santos aceitou a denúncia e determinou que a Polícia Federal analise esse novo inquérito do MPF em conjunto com as investigações da Operação Narco Bet, que ainda não foram concluídas.
Quem é Buzeira
Natural de Itaquera, na zona Leste de São Paulo, Buzeira acumula quase 15 milhões de seguidores em apenas uma rede social, onde exibia carros de luxo, joias e mansões, além de divulgar rifas e sorteios. O influenciador é casado com a também influenciadora Hillary Yamashiro e é pai de dois filhos.
Com a manutenção da prisão pelo STJ, Buzeira permanece custodiado enquanto as investigações da Operação Narco Bet seguem em andamento, somadas ao novo inquérito do MPF sobre rifas clandestinas e fraudes digitais.