Mulher morre após denunciar falta de atendimento em UPA de Ribeirão das Neves

Brenda Larissa Maia, de 32 anos, que morreu após buscar atendimento na UPA Justinópolis
Mulher de 32 anos gravou vídeos mostrando consultórios vazios na UPA de Ribeirão das Neves e morreu horas depois; família aponta negligência
Uma mulher de 32 anos morreu após denunciar, em vídeos gravados durante a madrugada, a falta de atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Brenda Larissa Maia deu entrada na unidade na tarde de sábado (6), por volta das 14h30, com queixas de dores no peito, e faleceu nas primeiras horas do domingo. A família registrou boletim de ocorrência e afirma que houve negligência médica.
Segundo o registro feito pela mãe da vítima, Sônia de Oliveira da Silva, Brenda Larissa Maia tinha histórico de fibromialgia e cardiopatia. Após ser classificada na triagem, ela aguardava atendimento médico quando, por volta das 22h, avisou à família que seu quadro de saúde havia piorado.
Em seguida, foi submetida à oxigenoterapia, tratamento que consiste na administração de oxigênio.
Durante a madrugada, por volta de 1h30, Brenda Larissa Maia gravou e enviou vídeos em que denunciava a ausência de médicos na unidade. Nas imagens, ela mostra consultórios vazios e relata a demora no atendimento.
"A UPA está agora, literalmente, com todas as salas vazias. Tem médico no descanso e uma médica vai sair para conduta de transferência", disse na gravação.
Em outra publicação, ela também pediu apoio e marcou políticos da região.
"Da mesma forma que vou lutar pelos direitos dos que estão trabalhando, vou lutar pelos direitos dos que estão aqui, que não sou só eu."
Segundo o boletim de ocorrência, após fazer as gravações, Brenda Larissa Maia caiu no chão e morreu dentro da própria unidade de saúde.
O velório está previsto para esta terça-feira (9), no Cemitério Belo Vale, em Santa Luzia, na Grande BH.
Versões divergentes
A mãe da paciente relatou ter recebido informações contraditórias sobre a causa da morte. Segundo ela, um médico apresentou inicialmente um documento com uma causa específica, mas, após a família mostrar os vídeos gravados por Brenda Larissa Maia, informou que o registro seria outro.
O boletim também aponta divergências nas orientações dadas após o óbito. Em um primeiro momento, a família foi informada de que a própria unidade acionaria o Instituto Médico-Legal (IML). Depois, uma funcionária disse que os parentes deveriam providenciar a remoção do corpo.
Mais tarde, outra servidora afirmou novamente que a responsabilidade era da unidade, mas orientou a família a registrar ocorrência.
Diante das dúvidas sobre o atendimento, a causa da morte e os procedimentos adotados, a família procurou a Polícia Militar e formalizou o registro.
A Prefeitura de Ribeirão das Neves informou, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, que lamenta o ocorrido e determinou a apuração rigorosa dos fatos.
Segundo o órgão, serão levantadas todas as informações necessárias para esclarecer o caso e, após a investigação, poderão ser adotadas medidas técnicas e jurídicas cabíveis.