PT pede fim da prisão domiciliar de Bolsonaro por melhora de saúde

Boletim médico aponta evolução no estado de saúde de Bolsonaro, enquanto PT pede revogação de sua prisão domiciliar após episódio com escolta
Um boletim médico divulgado nesta sexta-feira, 19, indica evolução no estado de saúde de Jair Bolsonaro, com melhora no ombro operado e redução das crises de soluço. Ao mesmo tempo, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo Lula no Congresso Nacional, protocolou pedido de revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, após um episódio em que a escolta de Bolsonaro impediu a intimação de um delegado da Polícia Civil.
O relatório fisioterapêutico, que descreve sessões realizadas entre os dias 15 e 17 de junho, aponta que Bolsonaro demonstrou "maior disposição física em comparação às semanas anteriores", o que foi associado à ausência de episódios de soluço nos dias que antecederam os atendimentos. O documento também registra redução de dor e ganho de mobilidade no ombro operado. Sobre as crises de soluço, os médicos afirmam que houve boa resposta ao tratamento adotado. No entanto, o mesmo documento alerta para efeitos colaterais dos medicamentos utilizados, entre eles sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio corporal.
O pedido de revogação da prisão domiciliar apresentado por Lindbergh Farias é o segundo do parlamentar nesse sentido. O argumento desta vez se baseia no impedimento da intimação de Bolsonaro. Um delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) se dirigiu à residência do ex-presidente para intimá-lo a prestar depoimento sobre uma arma apreendida com um de seus seguranças, mas foi barrado pela escolta. Para o deputado, a prisão domiciliar não protege Bolsonaro de ações do Estado, e a escolta não teria o direito de impedir o acesso da polícia.
O episódio, segundo Lindbergh, evidencia que a medida não está funcionando adequadamente e que Bolsonaro deveria retornar ao cumprimento de pena em unidade prisional, com atendimento médico garantido. Na petição, o deputado solicita que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), consulte a Procuradoria-Geral da República sobre a revogação da domiciliar e, caso isso não ocorra de imediato, que as condições da prisão sejam endurecidas. O ministro Moraes já autorizou que Bolsonaro preste depoimento à PCDF.
A polícia havia solicitado que a oitiva fosse realizada por videoconferência, mas Moraes determinou que o depoimento seja presencial, na própria residência onde o ex-presidente cumpre pena, no dia 23 de junho, às 15h. Bolsonaro foi condenado pelo STF a uma pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado. No final de março, ele obteve autorização para cumprir a pena em prisão domiciliar humanitária, monitorada, pelo prazo de 90 dias, em razão de seu grave estado de saúde.