Aliados temem que arma faça Bolsonaro perder prisão domiciliar

Bolsonaro agência Senado
Aliados temem que apreensão de arma registrada em nome de Bolsonaro leve o STF a revogar sua prisão domiciliar humanitária
O entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou em estado de alerta após a Polícia Militar do Distrito Federal apreender uma arma de fogo registrada em seu nome durante uma blitz na capital federal. Aliados e parlamentares da oposição temem que o episódio possa servir de gatilho para que o Supremo Tribunal Federal (STF) revogue a prisão domiciliar humanitária do político. O clima de apreensão é alimentado pelo histórico recente de decisões desfavoráveis da Suprema Corte contra o ex-presidente. Sob reserva, integrantes do grupo afirmam que "tudo pode acontecer" e intensificaram os ataques ao STF, acusando o país de viver um "Estado de exceção" e classificando o ministro Alexandre de Moraes como um "agente político".
Em coletiva de imprensa no Congresso Nacional, o líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), acusou Moraes de personificar os papéis de vítima, acusador e julgador, além de mencionar a condenação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação em processo relacionado à tentativa de golpe de Estado. Apesar do tom combativo adotado pelos aliados, a defesa de Bolsonaro já enviou esclarecimentos formais ao STF, assumindo a propriedade do armamento e justificando que o transporte ocorreu por razões de segurança e manutenção.
Os advogados de Bolsonaro confirmaram ao ministro Alexandre de Moraes que a arma pertence ao ex-presidente. Segundo a defesa, Bolsonaro identificou uma "falha" no equipamento e pediu a um segurança de sua equipe que o levasse para manutenção. Os seguranças, por iniciativa própria e sem o conhecimento do ex-presidente, removeram o percussor — peça essencial para o disparo — sob a justificativa de que Bolsonaro faz uso de medicamentos psiquiátricos que afetam sua cognição, com o objetivo de evitar acidentes.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária temporária em sua residência em Brasília desde março, medida concedida em razão de seus problemas de saúde. A Polícia Federal chegou a solicitar a Moraes a presença de policiais dentro da casa para monitoramento, o que resultou em reforço no policiamento local. O prazo legal de 90 dias para que o STF reavalie a manutenção dessa prisão domiciliar expira no próximo dia 25 de junho.
Apesar do temor generalizado de uma reação severa por parte do Judiciário, a bancada de oposição e os conselheiros do ex-presidente sustentam publicamente que, mesmo diante do incidente da blitz, "não há motivo" legal para que o Supremo altere o regime de prisão domiciliar atual de Bolsonaro. A tensão entre os aliados, no entanto, permanece elevada enquanto aguardam uma possível decisão da Corte.