
Inflação | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A expectativa do mercado financeiro para a inflação voltou a piorar pela 12ª semana consecutiva. Dados do Boletim Focus, divulgados nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central, mostram que a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,04% para 5,09% em 2026, permanecendo acima do teto da meta de inflação. A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um limite máximo de 4,5%.
A nova revisão ocorre em meio ao crescimento das preocupações com os efeitos do conflito entre Estados Unidos e Irã sobre a economia global. A escalada das tensões no Oriente Médio tem pressionado as cotações internacionais do petróleo, elevando o risco de alta nos combustíveis e de novos repasses de custos para toda a cadeia produtiva, incluindo alimentos. Em abril, a inflação oficial ficou em 0,67%, impulsionada principalmente pelos preços da alimentação. No acumulado de 12 meses, o IPCA alcançou 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As expectativas para os anos seguintes também sofreram ajustes: a projeção para 2027 passou de 4,01% para 4,02%, enquanto para 2028 e 2029 as estimativas ficaram em 3,66% e 3,5%, respectivamente.
De acordo com o Boletim Focus, a expectativa é de que a Selic encerre 2026 em 13,25% ao ano. Para 2027, a projeção é de 11,25%, e para 2028 e 2029 os analistas estimam taxa de 10% ao ano. Com a inflação ainda acima da meta, o mercado não vê espaço para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros nos próximos meses. Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, percentual utilizado pelo Banco Central como principal instrumento para conter a inflação, ao encarecer o crédito e reduzir o ritmo do consumo. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 16 e 17 de junho.
Apesar da piora das expectativas para a inflação, o mercado financeiro revisou levemente para cima a previsão de crescimento da economia brasileira. A estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 passou de 1,89% para 1,9%. Para 2027, a projeção foi mantida em 1,7%, e para 2028 e 2029 a expectativa continua sendo de expansão de 2%.