Expectativa de inflação sobe para 5,11%, aponta Boletim Focus

Foto: Banco Central/Reprodução
Pela 13ª semana seguida, o Boletim Focus registra alta nas projeções de inflação, reduzindo apostas em corte da Selic
A expectativa do mercado financeiro para a inflação voltou a subir, atingindo 5,11% para 2026, de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (8) pelo Banco Central. Esta é a décima terceira semana consecutiva de alta nas projeções dos analistas, sinalizando uma preocupação crescente com a resistência dos preços na economia brasileira. Na semana anterior, a estimativa era de 5,09%. Para 2027, a previsão também avançou, passando de 4,02% para 4,03%.
O percentual projetado para este ano segue acima da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional, fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. A inflação acumulada em 12 meses está em 5,32%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permanecendo acima do teto da meta.
Entre os fatores que pressionam as expectativas está a alta do petróleo no mercado internacional. O agravamento dos conflitos no Oriente Médio elevou o preço do barril para perto de US$ 94, aumentando o risco de reajustes nos combustíveis e de impactos em cadeia sobre os preços de produtos e serviços.
A inflação mais resistente também levou o mercado a rever as projeções para os juros. Os analistas passaram a prever uma redução menor da taxa Selic ao longo do ano. Atualmente, a taxa básica de juros está em 14,5% ao ano, e a expectativa agora é que ela encerre 2026 em 13,5%, acima da projeção anterior, de 13,25%. Quanto maior a expectativa de inflação, menor tende a ser o espaço para cortes nos juros pelo Banco Central.
O Boletim Focus reúne semanalmente as estimativas de mais de cem instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira. Além da inflação e dos juros, o mercado elevou levemente a previsão de crescimento da economia em 2026: a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,90% para 1,91%. Já a projeção para o dólar no fim do ano recuou de R$ 5,16 para R$ 5,15.
Na avaliação dos economistas, o comportamento dos preços dos combustíveis e o cenário internacional devem continuar sendo fatores determinantes para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa de juros.