
Foto: ONU/Eskinder Debebe
O Conselho de Segurança da ONU realizará uma reunião de emergência sobre o avanço de Israel no Líbano, convocada pela França após o Exército israelense tomar a fortaleza medieval libanesa de Beaufort. O encontro foi confirmado por fontes diplomáticas neste domingo (31), com previsão para a tarde de segunda-feira (1º). O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que "nada justifica a escalada significativa em curso no sul do Líbano" e avaliou ser "urgente que todas as armas se calem definitivamente".
As declarações foram publicadas na rede X após conversas com líderes da região, incluindo o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, o sultão de Omã, Haitham bin Tariq, o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al Sisi. Macron também declarou que "é essencial que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã seja alcançado rapidamente".
A reunião sobre o Líbano ocorrerá logo após outro encontro de emergência solicitado pela Romênia, motivado pela queda de um drone sobre um edifício em Galați, programado para as 15h (16h em Brasília).
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, explicou os motivos da convocação em entrevista à emissora BFMTV: "Solicitei uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas porque, embora reconheçamos o direito de Israel, como de todos os países, à legítima defesa, a se defender dos ataques do Hezbollah (...), nada pode justificar a continuidade das operações militares israelenses no Líbano e sua ocupação cada vez maior do território libanês".
Barrot classificou o avanço israelense como um erro estratégico: "Trata-se de um erro grave por parte de Israel, porque (...) esse avanço no território libanês é não apenas contrário aos compromissos de Israel, já que desde 17 de abril há um cessar-fogo no Líbano, como também contrário ao direito internacional e aos próprios interesses e à segurança de Israel".
O chanceler ainda alertou que "cada vila libanesa bombardeada, cada vila ocupada, cada civil morto fortalece o Hezbollah". Barrot também sinalizou que a continuidade das operações contra o Hezbollah, aliado do Irã, "também fragiliza" um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, "que prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano". Sobre as negociações do programa nuclear iraniano entre Washington e Teerã, o ministro alertou para declarações que não sejam seguidas de ações, em meio às afirmações do presidente americano Donald Trump de ter recebido do Irã o compromisso de não desenvolver armas nucleares.
O Exército israelense anunciou neste domingo a captura da fortaleza medieval de Beaufort, no sul do Líbano, marcando uma nova etapa da ofensiva terrestre israelense com o objetivo declarado de "esmagar" o grupo Hezbollah. A fortaleza é considerada estratégica para a defesa dos assentamentos judaicos da Galileia, no norte de Israel, e abre caminho para o avanço em direção à região de Nabatieh.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, celebrou a conquista: "Quarenta e quatro anos após a heroica Batalha de Beaufort e neste dia em memória dos soldados que tombaram na Primeira Guerra do Líbano (1982)", os militares "retornaram ao topo de Beaufort e hastearam novamente a bandeira israelense". Katz acrescentou: "Estamos todos determinados a esmagar o poder do Hezbollah e cumprir a missão, garantir a segurança dos habitantes do norte de Israel".
Por duas décadas, as forças israelenses utilizaram Beaufort como base durante a ocupação do sul do Líbano, encerrada em 2000. Também neste domingo, Israel ordenou a evacuação da população de uma grande área da região, entre sua fronteira e o rio Zahrani, cerca de 40 quilômetros ao norte. No sábado (30), o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, havia acusado Tel Aviv de adotar uma "estratégia de terra arrasada" no país. Em pronunciamento na TV, Salam declarou que a "punição coletiva" dos libaneses "não lhe trará segurança nem estabilidade", mas defendeu a continuidade das negociações diretas com Israel, iniciadas em abril e rejeitadas pelo Hezbollah, considerando-as "o caminho menos custoso" para o Líbano.
A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU representa a resposta diplomática mais direta até agora ao avanço israelense no sul do Líbano desde a tomada de Beaufort, com a França liderando os esforços para pressionar por um cessar-fogo definitivo na região.