TSE adia julgamento sobre pesquisa suspensa por Nunes Marques

ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF)
TSE suspende análise da liminar que proibia divulgação de pesquisa da AtlasIntel sobre Flávio Bolsonaro após pedido de vista de ministra
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu o julgamento da liminar que proibia novas divulgações de pesquisa da AtlasIntel, após pedido de vista da ministra Estela Aranha. A pesquisa em questão apontou queda de seis pontos porcentuais na intenção de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a presidência da República. Antes da suspensão, somente o ministro Kassio Nunes Marques havia votado, defendendo a manutenção da decisão que bloqueou a divulgação do levantamento. Ele também propôs que a Corte estabeleça critérios mais rígidos para a realização e publicação de pesquisas eleitorais.
O ministro Dias Toffoli também se manifestou a favor da criação de parâmetros para o futuro. "Não estamos a julgar esta pesquisa, esta já foi divulgada e já surtiu efeito. O que estamos a definir aqui é quais são os parâmetros em relação a toda e qualquer pesquisa e todo e qualquer candidato", afirmou. Em seguida, acrescentou: "O que nós vamos decidir neste caso, é o futuro: pesquisa pode tudo ou não pode tudo, e qual é o limite entre o que é induzimento e o que não é induzimento. Esse limite não pode ser subjetivo".
O ministro André Mendonça completou: "Nem tendencioso". Toffoli também defendeu a liberdade das pesquisas, afirmando que "o povo decide quais institutos são sérios e quais não são sérios". "Eu sinceramente, por mim, não precisaríamos estar passando por um julgamento como esse, porque para mim as pesquisas deveriam ser liberadas completamente", disse. Para o ministro, "pesquisa é para medir opinião pública, não é para formar opinião pública".
A suspensão da divulgação foi solicitada pelo PL. O levantamento havia sido publicado em 19 de maio, poucos dias após a revelação de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Durante a sustentação oral, a advogada do PL, Maria Claudia Bucchianeri, argumentou que a pesquisa apresenta um problema "fatal" porque "não trouxe a íntegra do questionário, porque submeteu um vídeo aos questionados, mas essa mídia não foi anexada". "Eu não tenho como saber qual foi o vídeo mostrado aos entrevistados", reiterou.
Já o advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra, representante da AtlasIntel, sustentou que não houve violação à lei. "A representação não aponta violação objetiva à legislação eleitoral. Na verdade, o que se tem é uma discordância da metodologia com relação ao fato político público e notório, qual seja, a relação entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e com a questão do Banco Master", afirmou.
Na ação que originou o pedido de suspensão, o PL argumentou que o questionário induziu os entrevistados de forma negativa em relação a Flávio Bolsonaro, por meio de perguntas relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master. Para o partido, o uso de expressões como "esquema de fraudes financeiras", "escândalo" e "evidências de envolvimento direto", antes das questões sobre intenção de voto, teria potencial para influenciar as respostas dos participantes. Em comunicado, a AtlasIntel afirmou que o áudio da conversa foi exibido somente após o encerramento do questionário principal da pesquisa.
Segundo o instituto, os entrevistados já haviam respondido às perguntas eleitorais e não podiam mais alterar suas respostas quando foram direcionados a uma página separada para ouvir o material. O julgamento permanece suspenso até que a ministra Estela Aranha apresente seu voto, quando o TSE retomará a análise sobre a validade da liminar que restringiu a circulação da pesquisa da AtlasIntel.