Ancelotti é antídoto do Brasil no Mundial

Ancelotti faz primeira convocação na CBF
Imprensa internacional elogia Ancelotti pela classificação brasileira, mas aponta fragilidades da Seleção na Copa do Mundo 2026
A classificação dramática do Brasil para as oitavas de final da Copa do Mundo 2026 gerou repercussão mundial com uma avaliação quase unânime na imprensa internacional: a Seleção ainda está longe de encantar, mas encontrou em Carlo Ancelotti o líder capaz de evitar que a equipe sucumba à pressão. O técnico italiano foi amplamente elogiado por sua serenidade e capacidade de conduzir o time nos momentos mais difíceis.
O The Athletic, publicação esportiva do The New York Times, destacou a postura de Ancelotti durante o jogo contra o Japão, em que o Brasil começou perdendo. Segundo o jornal, a classificação foi conquistada "com paciência, ajustes táticos e sangue frio, características que, cada vez mais, parecem definir o trabalho de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira".
A reportagem chamou atenção para a reação do treinador no momento do gol da virada de Martinelli: enquanto jogadores e comissão técnica celebravam eufóricos, Ancelotti foi na direção oposta. "Quase todos perderam o controle naquele instante. Quase. Carlo Ancelotti permaneceu impassível. Enquanto jogadores e comissão técnica corriam para comemorar, o treinador italiano fez o caminho oposto. Parou, conversou rapidamente com seu auxiliar Paul Clement e chamou Danilo Santos para preparar a equipe para os últimos segundos da partida. A comemoração podia esperar; era hora de garantir a vitória", pontuou o jornal, em análise intitulada "Ancelotti é o antídoto do Brasil contra o caos". O The Guardian fez uma avaliação semelhante.
Para o jornal britânico, o Brasil repetiu um roteiro já visto em outras partidas desta Copa: passou boa parte do jogo sem convencer, mas encontrou um caminho para vencer nos minutos finais. A forma como a Seleção reagiu à pressão, segundo o diário, lembra equipes comandadas por Ancelotti ao longo de sua carreira. "Pode parecer difícil de explicar, mas o método de Carlo Ancelotti que deu certo no Real Madrid voltou a funcionar: manter o time vivo no jogo até que o adversário cometa um erro ou um de seus craques resolva a partida com um lance de brilhantismo", escreveu o jornal.
Ao mesmo tempo, o The Guardian afirmou que a Seleção brasileira "deixa dúvidas" e que sua atuação expôs fragilidades importantes, sobretudo no meio-campo. Ainda assim, o veículo deixou uma porta aberta para o otimismo: "A tendência é pensar que o Brasil não pode continuar assim, que não pode continuar flertando com o perigo. Mas o Real Madrid de Carlo Ancelotti fazia exatamente isso e continuava conquistando a Liga dos Campeões. Talvez o sonho do hexacampeonato realmente esteja vivo".
A Gazzetta dello Sport, da Itália, destacou que a Seleção conquistou a vaga nas oitavas de final "após uma dose necessária de sofrimento, recorrendo à paciência e ao desejo de redenção". Segundo o jornal, o Brasil superou o fantasma de um "Houstonaço", "exorcizando velhos pesadelos e lembranças sombrias graças a um gol de Martinelli no último segundo".
Para os italianos, a insistência de Ancelotti em manter Casemiro e Danilo em campo, apesar da atuação ruim antes do intervalo, foi decisiva para a virada. "Carletto conduziu sua equipe às oitavas de final motivando os jogadores e demonstrando confiança em líderes que enfrentavam dificuldades, Casemiro e Danilo, mantendo-os em campo apesar de um primeiro tempo longe de ser brilhante. A decisão valeu a pena: o primeiro marcou o gol de empate de cabeça, enquanto o segundo teve papel fundamental na vitória por 2 a 1 no apito final."
O espanhol Marca também ressaltou a confiança que Ancelotti manteve em suas "peças-chave". Para o jornal, talvez este não seja o Brasil mais "vistoso" dos últimos anos, mas a equipe demonstrou personalidade para reagir nos momentos de dificuldade. "Um feito alcançado tanto com sofrimento quanto por mérito", avaliou o veículo, que ainda destacou a atuação de Vinicius Junior, responsável por trazer o "jogo bonito" para dentro de campo, "protagonizando um dos grandes momentos do jogo". "O sonho do Brasil continua vivo. Ancelotti adora quando o plano dá certo", concluiu o Marca. Nem toda a imprensa internacional, porém, se mostrou convencida pelo desempenho da Seleção.
Na França, o L"Équipe classificou a atuação brasileira como "apagada" e "pouco convincente", afirmando que o time "precisará mostrar muito, muito mais se quiser avançar rumo ao hexacampeonato mundial; o desempenho — especialmente no primeiro tempo — foi extremamente fraco". O argentino Olé foi ainda mais crítico, apontando que o Brasil sofreu de uma "vinidependência" — uma dependência excessiva de Vini Jr. — para criar jogadas ofensivas. "A classificação veio mais pela força da camisa do que pelo futebol apresentado; mais pelo orgulho do que por ideias", pontuou o veículo. "Foi um caso de total Vini-dependência, com a ajuda de um rival que, no fim das contas, não teve a fibra necessária para fazer história."
O Olé ainda afirmou que o Brasil "passou sufoco" e está distante do nível esperado para um candidato ao título mundial, concluindo com uma sentença direta: "O Brasil de verdade ainda não apareceu nesta Copa do Mundo". A avaliação internacional, portanto, divide-se entre o reconhecimento ao trabalho de Ancelotti e a desconfiança em relação ao nível coletivo apresentado pela Seleção até aqui no torneio.