Audiência sobre denúncias na Educação de Minas é adiada após pedido de secretário

Beatriz Cerqueira é presidente da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da ALMG - Foto: Ramon Bitencourt
Reunião com secretário Marcel Beghini foi remarcada para 24 de junho para tratar de investigações na Secretaria de Educação de MG
A Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) adiou a audiência com o secretário de Estado da Casa Civil, Marcel Beghini. O encontro, que estava marcado para esta quarta-feira (10), foi remarcado para o dia 24 de junho, às 16h (horário de Brasília). Fontes ligadas à ALMG informaram à Itatiaia que a mudança foi solicitada pelo próprio secretário.
A reunião tem como objetivo discutir as denúncias de irregularidades na Secretaria de Educação (SEE), atualmente investigadas pela Controladoria-Geral do Estado (CGE). No dia 27 de maio, a comissão já havia recebido a controladora-geral do Estado, Marcela Dias, que apresentou o andamento das investigações sobre indícios de corrupção na pasta, à época sob o comando de Rossieli Soares.
Rossieli foi exonerado do cargo de secretário no dia 27 de abril. A assessoria do ex-secretário chegou a divulgar que a saída teria sido "em comum acordo" e ligada a questões pessoais e de saúde. No entanto, no dia seguinte à exoneração, o governo do Estado publicou nota afirmando que a decisão foi motivada por "informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado (CGE)". O conteúdo da investigação ainda não foi revelado publicamente.
Entenda o caso
No centro das discussões está o contrato assinado pela SEE com a empresa Fazer Educação para a aquisição de livros didáticos destinados a alunos das escolas estaduais. O contrato, no valor de R$ 348 milhões, foi firmado em 23 de dezembro de 2025, com dispensa de licitação.
À Comissão de Educação da ALMG, a controladora-geral Marcela Dias informou que as apurações da CGE tiveram início após denúncia feita por um servidor público no dia 16 de dezembro de 2025. Ao portal O Fator, o secretário Marcel Beghini confirmou ser o autor da denúncia. Ele ocupava o cargo de secretário-geral do Estado quando recebeu informações sobre um esquema para aumentar o valor do contrato com a Fazer Educação e viabilizar a contratação da empresa sem licitação.
A Fazer Educação firmou contratos semelhantes em outros estados onde Rossieli Soares atuou e é alvo de investigações por possível fraude em licitações para compra de materiais didáticos. Segundo o portal Intercept Brasil, os contratos somam R$ 848,8 milhões.
De acordo com a deputada Beatriz Cerqueira, a SEE também dispensou a exigência de licitação em um contrato complementar no valor de R$ 49 milhões, firmado em março deste ano. O contrato envolve um consórcio formado por empresas investigadas por fraudes e corrupção em outros estados e que não estavam habilitadas para participar de certames em Minas Gerais.
A ALMG segue acompanhando o caso à espera da audiência remarcada para o fim do mês.