Esculturas sacras de Aleijadinho são restauradas em Ouro Preto
Onze esculturas sacras, incluindo obra do Aleijadinho, são apresentadas após quase 10 anos de restauração pela Faop em Ouro Preto
Onze imagens sacras do século 18 retornaram à exposição pública após quase uma década afastadas dos olhos da população. As peças passaram por um longo processo de restauração conduzido pela Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) e foram apresentadas em cerimônia realizada na Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, em Cachoeira do Campo, distrito da cidade histórica localizada na Região Central de Minas Gerais, na última terça-feira (23).
As obras pertencem ao acervo da Matriz de São Bartolomeu, também distrito de Ouro Preto, mas só devem retornar ao local de origem quando a restauração da própria igreja for concluída, o que está previsto para o início de julho. De acordo com a Faop, o trabalho exigiu cuidado técnico especializado para corrigir desgastes e imperfeições sem alterar as características originais das esculturas. Uma 12ª peça ainda permanece em laboratório para a recomposição de um olho de vidro.
As esculturas são de madeira e foram produzidas na primeira metade do século 18. Uma delas, a imagem de Nossa Senhora do Carmo, foi entalhada por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, um dos principais nomes do barroco mineiro e figura central da arte sacra brasileira. Dom Airton José dos Santos, arcebispo metropolitano de Mariana, destacou a importância da devolução das imagens à comunidade. "Estamos recebendo de volta imagens que estavam deterioradas. Recuperar não significa fazer de novo, mas restaurar aquilo que já estava aí. São obras do mestre Aleijadinho", afirmou.
O presidente da Faop, Rodrigo Câmara, reforçou o valor do conjunto para a memória coletiva do estado e do país. "São 11 obras restauradas, e uma ainda continua em laboratório. São peças que fazem parte da história de Minas e, obviamente, do Brasil também", disse. A coordenadora do núcleo de conservação e restauração da Faop, Valéria França, acrescentou que o acervo também carrega relevância do ponto de vista religioso. Segundo ela, três das imagens aparecem em registros históricos como milagrosas. "São imagens portuguesas citadas no livro Santuário Mariano. O frei que escreveu a obra relata que, em São Bartolomeu, havia três imagens milagrosas", completou a coordenadora. Com a restauração concluída para a maioria das peças, o conjunto aguarda agora o término das obras na Matriz de São Bartolomeu para retornar definitivamente ao seu local de origem, encerrando um ciclo de quase dez anos de ausência.



