Associação chama fim do 6x1 de "pauta-bomba"

Manifestação contra a escala de trabalho 6x1 - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Associação alerta que mudança na jornada de trabalho pode encarecer imóveis em mais de 5% e afastar 12,5 milhões do sonho da casa própria
O debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1 ganhou novos contornos nesta quinta-feira (25) durante evento promovido pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em São Paulo. A entidade apresentou dados que indicam consequências significativas para o mercado imobiliário caso a jornada de trabalho seja reduzida, com imóveis podendo ficar mais de 5% mais caros. Luiz França, presidente da Abrainc, classificou o projeto como "pauta-bomba" e alertou que cerca de 12,5 milhões de brasileiros poderiam se distanciar ainda mais do sonho da casa própria. Segundo ele, o fim da escala 6x1 encareceria a mão de obra e, consequentemente, a construção de edifícios no país.
Além do impacto direto no setor imobiliário, as pesquisas apresentadas pela Abrainc apontam para um aumento da inflação em outros segmentos, como vestuário, bebidas e alimentos. O trabalhador, segundo a entidade, também pagaria mais caro pelo consumo no tempo livre.
Além da discussão sobre a escala 6x1, os juros elevados no Brasil foram apontados como uma forte preocupação do setor imobiliário durante o evento da Abrainc. A taxa Selic, que chegou a 15% ao ano no início do ano — o patamar mais alto em 20 anos no país —, ainda se encontra em 14,25%, tornando o financiamento imobiliário mais oneroso para a população. O endividamento crescente dos brasileiros também foi citado como um fator agravante, uma vez que o financiamento de imóvel tende a ser a última prioridade para quem já carrega dívidas elevadas.
O conflito no Oriente Médio, que pressionou a inflação em nível global, foi mencionado como uma variável fora do controle do mercado e que também integrou as discussões do evento. A Abrainc reforçou que o conjunto de fatores — redução da jornada de trabalho, juros altos e endividamento da população — representa um cenário de desafios para o setor imobiliário brasileiro, com potencial impacto direto no acesso à moradia para milhões de pessoas.