Justiça da Colômbia obriga candidato a pedir desculpas por assédio sexual contra jornalista

Abelardo de la Espriella - FOTO: JOAQUIN SARMIENTO
Justiça colombiana dá 48 horas para candidato presidencial de extrema direita se retratar por falas sexistas contra jornalista
A Justiça da Colômbia determinou, nesta terça-feira (2), que o candidato presidencial de extrema direita Abelardo de la Espriella peça desculpas públicas por declarações sexistas feitas durante uma entrevista de rádio. A decisão judicial ocorre após o candidato pressionar uma jornalista a comentar sobre seus órgãos genitais durante o programa, em um episódio que se tornou viral nas redes sociais.
Advogado milionário conhecido por seu estilo desinibido, Abelardo de la Espriella terminou em primeiro lugar no primeiro turno presidencial realizado no domingo, mas sem votos suficientes para evitar um segundo turno, marcado para 21 de junho, contra o senador de esquerda Iván Cepeda.
Uma juíza de Bogotá concedeu a Abelardo de la Espriella um prazo de 48 horas para se retratar publicamente pelos comentários feitos em 12 de maio, durante o programa de rádio Piso 8. Segundo a decisão, proferida em resposta a uma ação movida por uma cidadã, as falas do candidato constituem "uma forma de violência" e reproduzem "estereótipos históricos discriminatórios contra as mulheres".
De acordo com o documento judicial, em uma entrevista registrada em vídeo, Abelardo de la Espriella "exibiu em seu telefone celular uma fotografia íntima e afirmou ter obtido apoio do 'eleitorado feminino' a partir dessa imagem". Em seguida, ele "insistiu para que uma jornalista presente observasse a fotografia e comentasse sobre ela, mediante frases como: 'aproxime e me diga o que você vê aí' e 'não seja tímida'", em um contexto de "insinuação sexual explícita", conforme acrescenta a decisão.
A jornalista envolvida no episódio se manifestou publicamente pelo X e não poupou palavras ao descrever o ocorrido: "Não foi um simples comentário infeliz. Foi uma total falta de respeito comigo e com o meu trabalho. Senti-me violada, assediada e enojada".
Abelardo de la Espriella respondeu à publicação e pediu desculpas, alegando que "tudo ocorreu em um contexto humorístico". No entanto, o tribunal rejeitou essas justificativas e afirmou que o "problema constitucional não reside na utilização de uma linguagem coloquial", mas na mensagem transmitida ao sugerir que as mulheres "podem ser influenciadas politicamente" por critérios de atração sexual.
O candidato vem acumulando críticas por seus frequentes comentários sexistas e homofóbicos ao longo da campanha. Abelardo de la Espriella defende um projeto político centrado na família tradicional, com propostas de linha dura que se aproximam das dos presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei.
A decisão judicial representa um marco no debate sobre violência de gênero no ambiente político colombiano, reforçando os limites legais para declarações que reproduzam discriminação contra mulheres, independentemente do contexto em que sejam feitas.