
Irmã de piloto de avião que bateu em prédio em BH mandou mensagem para ele quando viu notícia pela TV. — Foto: Cedida/ Keli Pereira
A irmã do piloto Wellington de Oliveira Pereira soube da queda do avião em que ele estava pela televisão. Keli Pereira não sabia que o irmão trabalhava naquele dia e, ao ver a notícia no noticiário, enviou uma mensagem para confirmar se ele não estaria envolvido no acidente.
Sem receber resposta, ela tentou ligar para o irmão e, pouco tempo depois, recebeu a confirmação de que era Wellington quem pilotava o monomotor que caiu e atingiu um prédio residencial em Belo Horizonte, na tarde de segunda-feira (4).
"A gente sempre vê isso, mas nunca imagina... e eu não sabia que aquele dia ele tava voando. [...] Quando eu vi, eu mandei uma mensagem brincando: "não é você não, né?" Aí ele não respondeu", contou Keli.
Além de Wellington de Oliveira Pereira, outras duas pessoas morreram e duas ficaram feridas no acidente.
O piloto tinha 34 anos, nasceu em Colorado, no Norte do Paraná, e morou com a família durante a infância e adolescência em Munhoz de Mello, na mesma região.
Ele estudou no aeroclube de Maringá entre 2022 e 2023 e, segundo a irmã, estava terminando o curso para se tornar piloto de voos comerciais.
"Cumpriu a missão dele aqui na terra, fazendo o que ele mais gostava de fazer, que era pilotar. Desde criança, esse era o sonho dele. Ele é nosso orgulho, era só alegria, não tinha tempo ruim. Agora é só saudade. [...] Ele sempre falou que se morresse voando, ia morrer feliz", disse Keli.
Atualmente, Wellington de Oliveira Pereira morava em Vitória da Conquista, com a esposa e um filho pequeno. Ele também era músico e tocava flauta na Congregação Cristã do Brasil.
O corpo do piloto foi liberado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Minas Gerais na terça-feira (5). A família informou que o traslado seria feito de carro, com previsão de chegada ao Paraná no início da manhã de quarta-feira (6).
O velório estava previsto para começar às 9h e o sepultamento às 17h, no Cemitério Municipal de Munhoz de Mello.
As vítimas do acidente
Além de Wellington de Oliveira Pereira, a aeronave levava quatro empresários do setor de tecnologia e seguia para São Paulo após uma parada na capital mineira.
Veja quem estava no avião no momento do acidente:
Wellington Oliveira Pereira, piloto, de 34 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu no local;
Fernando Souto Moreira, filho do prefeito da cidade de Jequitinhonha, de 36 anos, que estava no banco do copiloto e também morreu no local;
Leonardo Berganholi, empresário, de 50 anos, que morreu no hospital;
Arthur Schaper Berganholi, filho de Leonardo, de 25 anos, encaminhado em estado grave ao Hospital João XXIII;
Hemerson Cleiton Almeida Souto, de 53 anos, encaminhado em estado grave ao Hospital João XXIII.
Nenhuma das pessoas que estava no prédio foi atingida. Todos os moradores foram retirados do edifício pelo Corpo de Bombeiros.
"Ela [aeronave] bateu entre o terceiro e o quarto andar, na caixa de escada. Se tivesse batido nas laterais, poderia ter atingido alguma residência. Esses apartamentos estavam ocupados, segundo informações. O que visualizamos foi a estrutura dessa aeronave projetada dentro da caixa da escada, sem atingir outros apartamentos", disse o tenente Raul, do Corpo de Bombeiros.
Piloto relatou perda de altitude antes da queda
Minutos antes do acidente, Wellington de Oliveira Pereira relatou, pelo rádio, dificuldades para ganhar altitude logo após a decolagem. A tripulação do Globocop ouviu a comunicação.
Segundo informações obtidas pela equipe aérea da TV Globo, o piloto comunicou à torre que não conseguia manter altitude. A torre ofereceu prioridade para o retorno ao aeroporto, mas foi informada de que a aeronave não conseguia subir.
Pouco depois, o avião caiu no estacionamento do prédio residencial.
A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA) foram acionados para apurar as causas do acidente.
Equipes do Terceiro Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA III) foram ao local para coletar dados, preservar elementos e levantar informações que possam auxiliar na investigação.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) também investiga as circunstâncias da queda.