
Senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL, manteve conversas diretas com o banqueiro Daniel Vorcaro - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado/Divulgação/Banco Master
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pagou aproximadamente R$ 61 milhões para financiar o filme biográfico "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conforme revelado pelo Intercept Brasil.
Diálogos divulgados pelo site mostram Flávio Bolsonaro e Vorcaro conversando sobre o filme. Uma das trocas ocorreu em 15 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero e dois dias antes da liquidação do Banco Master.
Segundo o Intercept, pelo menos R$ 61 milhões foram pagos entre fevereiro e maio de 2025, distribuídos em seis operações. O valor total negociado chegaria a R$ 134 milhões, embora o site aponte não haver evidências de que todo o montante tenha sido efetivamente repassado.
Parte dos recursos foi transferida pela Entre Investimentos e Participações, que atuava em parceria com empresas de Vorcaro, para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. O empresário Thiago Miranda e Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como principal operador de Vorcaro, teriam atuado como intermediários nessas transações.
Em um áudio divulgado pelo Intercept, datado de 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro demonstra preocupação com atrasos nos pagamentos da produção ao falar diretamente com Vorcaro. "Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?", declarou o senador.
Em seguida, completou: "Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim".
A reportagem do Intercept acionou Flávio Bolsonaro diretamente e também a assessoria do senador, mas não obteve resposta até o momento da publicação.