
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump - Official White House Photo by Jo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (27/5) não ter certeza se deve assinar um acordo de paz com o Irã caso países árabes se recusem a reconhecer Israel e estabelecer relações diplomáticas com o Estado judeu.
A declaração foi feita durante reunião com seu gabinete, em conversa com repórteres que acompanharam o encontro. Ao se dirigir à imprensa, Trump citou Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar e "os outros" como nações que deveriam reconhecer e manter relações com Israel por meio da assinatura dos Acordos de Abraão. O tratado internacional foi criado por Washington durante o primeiro governo Trump, em 2020, com o objetivo de normalizar os laços entre países árabes e o Estado israelense.
"Acho que esses países devem isso a nós", afirmou o líder norte-americano. "Não tenho certeza se deveríamos fazer o acordo [com o Irã] se eles não assinarem, para dizer a verdade".
Apesar da pressão exercida por Trump sobre os países árabes, ainda não existem perspectivas concretas sobre um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Vale destacar uma contradição na declaração presidencial: Trump citou os Emirados Árabes Unidos como uma das nações que deveriam aderir aos Acordos de Abraão, mesmo sendo este um dos países que já restabeleceu relações com Israel — justamente por meio desse mesmo tratado, do qual Washington foi mediador há seis anos.
No início da semana, Trump já havia mencionado a possibilidade de adesão de países do Oriente Médio ao acordo, com ênfase especial nas nações localizadas no Golfo Pérsico. Atualmente, apenas Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão integram os Acordos de Abraão.
A Arábia Saudita chegou a sinalizar, em 2023, que poderia estabelecer relações com Israel. No entanto, após o início da guerra na Faixa de Gaza, a monarquia passou a exigir a criação de um Estado Palestino e o fim do conflito como condições para qualquer aproximação com o governo israelense.