
A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou réu o piloto da Latam preso sob acusação de liderar uma organização criminosa voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
Segundo a investigação, as vítimas eram aliciadas com dinheiro, presentes e ajuda financeira às suas famílias. A companhia aérea demitiu o piloto após tomar conhecimento das acusações. Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso em fevereiro deste ano dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, quando se preparava para operar o voo LA3900, da Latam, com destino ao Rio de Janeiro.
A investigação teve início em outubro de 2024, após uma das vítimas, já maior de idade, procurar a polícia. De acordo com a delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo caso, as apurações identificaram um homem que produzia, armazenava e compartilhava material de pornografia infantil, além de ameaçar e abusar sexualmente das vítimas.
Segundo a delegada, uma das vítimas relatou que Sérgio Antônio Lopes tinha como alvo crianças e adolescentes, principalmente moradoras de bairros periféricos, que eram aliciadas com dinheiro para a produção de fotos, vídeos e encontros. As adolescentes também seriam induzidas a recrutar novas vítimas. No celular do piloto, os investigadores encontraram fotos e vídeos de diversas meninas.
A lista de crimes pelos quais Sérgio Antônio Lopes responde é extensa. Entre as acusações estão: organização criminosa, estupro de vulnerável, favorecimento da exploração sexual de menor, divulgação de cena de pornografia, produção, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil, aliciamento de crianças, venda de material pornográfico infantil, falsa identidade, coação no curso do processo, maus-tratos e favorecimento da prostituição.
Estrutura organizada de exploração
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as provas reunidas até o momento indicam uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, "com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos". Segundo os investigadores, Sérgio Antônio Lopes também aliciava mães e avós das vítimas, exigindo fotos e vídeos das crianças em troca de benefícios materiais.
Ele pagava aluguel, comprava medicamentos, presenteava as famílias com televisores e dava entre R$30 a R$100 aos responsáveis pelas vítimas após os encontros. A polícia também apura o uso de documentos falsos para entrar em motéis com adolescentes. Além disso, os investigadores apontam que o suspeito ameaçava as vítimas para manter o esquema em funcionamento.
A reportagem tentou contato com a advogada Claudia Apolonia Barboza, que representa Sérgio Antônio Lopes, na manhã desta segunda-feira (25), mas ela não se manifestou até a publicação do texto. Em abril, a defensora havia afirmado que iria preservar o segredo de Justiça que o caso impõe, por envolver menores de idade, e disse acreditar na sensibilidade do Judiciário em "adequar suas condutas e desconstruir uma imagem de monstro que foi criada para promoções pessoais". A advogada também comentou que Sérgio Antônio Lopes passou por uma cirurgia grave e por um tratamento que trouxe uma alteração sensível, química e comportamental, e que "isso explica muitas coisas".
Com o recebimento da denúncia pela Justiça de São Paulo, Sérgio Antônio Lopes passa oficialmente à condição de réu, dando início à fase processual do caso que chocou o país.