
Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira realizou o procedimento em SP - Foto: Redes Sociais
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) reafirmou, em comunicado divulgado na quarta-feira (27), seu posicionamento contrário ao uso do polimetilmetacrilato (PMMA) para fins estéticos. O alerta ocorre após uma paciente de 48 anos morrer em São Paulo, na terça-feira (26), depois de passar por uma aplicação de PMMA nos glúteos. A Polícia Civil de São Paulo investiga o caso.
No início deste mês, Ju Massaoka, repórter do "Mais Você" (Globo), revelou que quase sofreu necrose no nariz ao descobrir que um médico havia aplicado PMMA durante uma cirurgia de rinoplastia realizada anos antes. Ela não tinha conhecimento de que a substância havia sido utilizada no procedimento.
A atual diretoria da SBD defende o endurecimento do controle sanitário e regulatório do produto junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), diante dos riscos graves e permanentes associados ao seu uso. Esse posicionamento está alinhado com manifestações técnicas anteriormente divulgadas pela SBD, tanto de forma isolada quanto em conjunto com o Conselho Federal de Medicina (CFM).
Embora existam propostas de restrição do uso do produto a determinadas especialidades médicas, a SBD ressalta que tal limitação não elimina os riscos intrínsecos relacionados ao PMMA, especialmente em procedimentos estéticos eletivos.
O que é o PMMA
O PMMA é um preenchedor permanente e não absorvível, associado a complicações imediatas e tardias. Entre os riscos estão processos inflamatórios, infecções, granulomas, deformidades, sequelas permanentes e, em situações mais graves, complicações sistêmicas potencialmente fatais.
Segundo a Anvisa, o PMMA não é indicado para procedimentos com fins estéticos, sendo aprovado somente para fins corretivos. O produto é autorizado para tratamento reparador nas seguintes situações:
Correção volumétrica facial e corporal, utilizada para tratar alterações de volume provocadas por sequelas de doenças como a poliomielite (paralisia infantil).
Correção de lipodistrofia, alteração no organismo que leva à concentração de gordura em determinadas partes do corpo, provocada pelo uso de medicamentos antirretrovirais em pacientes com HIV/Aids.
Aplicação do PMMA
Nos casos autorizados pela Anvisa, a aplicação do PMMA deve ser realizada por profissional médico ou odontólogo habilitado. Cabe ao profissional determinar a quantidade necessária para cada paciente, de acordo com a correção a ser realizada e as orientações técnicas de uso do produto.
O caso da paciente que morreu em São Paulo reforça os alertas das autoridades de saúde sobre os perigos do uso irregular do PMMA, substância cujo uso fora das indicações aprovadas representa risco à vida.